COLUNA GLADIR BASSO

Nesta coluna pretendemos emitir nossa opinião sobre os acontecimentos que cercam o mundo do trabalho e assuntos de interesse da classe trabalhadora.

Muitos assuntos são divulgados diariamente em nosso Informativo que é levado por meio eletrônico a todos os cantos do Brasil. Muitas vezes a simples divulgação de uma notícia ou informe pode ficar no ar um possível encaminhamento ou uma possível interpretação.

 

Economia vai bem! Para quem?

 

O IBGE divulgou que o PIB do segundo trimestre deste ano cresceu 1,4% em relação ao mesmo período do ano de 2004. Mas o cidadão tem procurado entender o que acontece. Será que existem duas economias no Brasil? Por um lado o governo comemora o crescimento, por outro lado o assalariado reclama que não consegue nem comprar os produtos de primeira necessidade.

 

Os preços estão baixando, logicamente isso é natural, o consumo caiu e a oferta aumentou, em virtude da cotação do dólar que inibe as exportações. Mas outro fator deve ser levado em consideração, a demanda caiu, pois o trabalhador está com seu salário onerado e muito, começamos a sentir o aumento da inadimplência.

 

No mar de lama que se encontra o governo, tem que procurar uma saída. Num primeiro momento tentaram colocar na cabeça do povo que a corrupção não passa de crime eleitoral e os envolvidos serão punidos. Agora investem no discurso de que a economia vai bem e que é a salvação da lavoura, falam até em reeleição.

 

Mas, a economia vai bem para quem? Essa pergunta tem uma resposta simples: para o capital, representado pelos banqueiros, pelos grandes grupos econômicos, grandes grupos empresariais, latifúndios e pelo capital internacional, que é o mais beneficiado com os juros astronômicos do Brasil, um paraíso.

 

O investimento previsto para o próximo ano é de pouco mais de R$ 14 bilhões, isso não representa nem 10% do que pagamos dos juros e serviços da dívida. As transferências monstruosas enviadas ao exterior deveriam permanecer no Brasil para investimento e geração de emprego ao brasileiro, que disputa a unha uma vaga no mercado de trabalho. Para gerar esse maldito superávit primário, abrimos mão do que é mais importante, infra-estrutura para o desenvolvimento e pasmem: nem verbas para o IBGE foram destinadas para a realização dos censos que deveriam acontecer neste ano.

 

Com relação ao sistema de telefonia, um dos setores que tem registrado maior número de reclamações por parte dos usuários em função do grande número de problemas apresentados, mais uma vez o governo, através da Anatel, ao invés de defender o povo, preferiu ficar do lado do capital suspendendo o serviço do 0800. Com essa decisão, conseguiram impedir os usuários de encaminharem suas reclamações, alegando que as mesmas poderão ser feitas através de carta. Será que a Brasil Telecom (Portugal Telecom) mais uma vez tem alguma coisa a ver com isso?

 

Para finalizar, com certeza a economia vai bem para quem explora o capital e ganha juros com a política monetária, que, aliás, é a coqueluche do presidente do Banco Central.

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Gladir Basso representa o Brasil no México

O Presidente da FEEB/PR (Federação dos Bancários do Paraná), 1º Vice-Presidente da CONTEC (Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito), Vice Presidente da CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores) para a Região Sul do Brasil e Secretário Coordenador da CFT/PR (Coordenação Federativa de Trabalhadores), Gladir Basso, representou a bancada dos trabalhadores do Brasil em dois eventos na cidade do México, neste mês de julho. Participaram representantes de 35 países das Américas, obedecendo ao formato da OIT, ou seja, de forma tripartite.

Trabalho Decente e Globalização

Nos dias 11 e 12 de julho, o primeiro evento – Trabalho Decente e Globalização – organizado pela OIT – Organização Internacional do Trabalho, teve por objetivo identificar nos países americanos sua capacidade de desenvolver o trabalho frente a globalização. Os painéis versaram sobre o tema e foram assim distribuídos:

- Trabalho Decente e Políticas de Desenvolvimento.
- Direitos fundamentais e crescimento econômico
- Equilíbrio entre o social e o econômico
- Mais e melhores empregos
- A Proteção Social
- Tecnologia e inovação no mundo do trabalho
- Formação profissional e a colaboração tripartite
- Modelo Macroeconômico, políticas de competitividade e geração de empregos de qualidade
- Diálogo Social, Tripartismo e Democracia

Os painéis foram apresentados por representantes de trabalhadores, empregadores e governos dos países presentes. Em suas intervenções o representante dos trabalhadores do Brasil, Gladir Basso pode mostrar aos demais países integrantes da Conferência a realidade do país. Com sua experiência sindical e trabalhista, Gladir registrou as inúmeras tentativas de flexibilizar a legislação que protege os trabalhadores e acima de tudo as constantes investidas dos países desenvolvidos em explorar nossa mão de obra.

Reunião Preparatória para a XIV Conferência Interamericana de Ministros do Trabalho

Nos dias 13 e 14 o debate girou em torno dos preparativos para XIV Conferência  Interamericana que acontecerá em Mar Del Plata no mês de setembro de 2005. Antes acontecerá nova reunião preparatória em Washington nos dias 30 e 31 de agosto. A reunião foi coordenada pela OEA – Organização dos Estados Americanos através do Conselho Interamericano para o Desenvolvimento Integral (CIDI). Foi finalizado um documento que será encaminhado a CINT – Conferência Interamericana constando o seguinte:

  • Reforçar o tema da igualdade de gênero
  • Continuar o exame das Comissões de Trabalho nos Acordos de Integral Regional e tratados de livre comércio.
  • Explorar a existência de redes e utilizá-las juntamente com organizações da Sociedade Civil e Governos.
  • Fortalecer canais institucionais buscando o crescimento econômico com geração de emprego decente.
  • Analisar e contribuir com o desenvolvimento de políticas públicas destinadas a combater a informalidade.
  • Examinar alternativas para melhorar o eficiente funcionamento do mercado de trabalho.
  • Identificar boas práticas e enfoques inovadores que otimizem a empregabilidade do cidadão.

Na avaliação do representante brasileiro, Gladir Basso, sua participação foi fundamental, tendo em vista a importância do Brasil no contexto das Américas, tanto por sua contribuição no Mercado de Trabalho quanto pela posição política na América do Sul.

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GLADIR BASSO VISITA SUDOESTE DO PARANÁ

Em visita ao Sudoeste do Estado do Paraná, o Secretário Coordenador da CFT/PR e Presidente da FEEB/PR, Gladir Basso, manteve intercâmbio com os bancários e trabalhadores de outras categorias da região.

Além de visitar as agências bancárias, Gladir pode falar sobre conjuntura política e econômica para os trabalhadores. Diante do atual quadro de instabilidade política, muitas dúvidas surgem sobre o futuro dos ideais, principalmente dos integrantes das categorias profissionais.

Esse contato é importante para conhecer a posição dos paranaenses frente ao que vem acontecendo na cúpula governista e a reação dos trabalhadores que desacreditam totalmente em discursos. Mas o mais importante de tudo é que não perdemos a esperança. A resistência da classe trabalhadora frente ao que acontece é fundamental, principalmente para escolher novos governantes nas próximas eleições.

O intercâmbio entre diversas categorias de trabalhadores só vem a fortalecer e se bem zelado pode trazer frutos, inclusive de ganhos reais. Uma prova disso é o convênio firmado entre os Bancários do Sudoeste e os Rodoviários de Francisco Beltrão. Esse convênio é para utilização da farmácia dos rodoviários de Francisco Beltrão pelos trabalhadores bancários, que podem se beneficiar de preços que são infinitamente menores que os praticados pelo comércio local, variando de 40% até 60% menores.

Além dessa parceria, muito mais está por vir, uma vez que os trabalhadores estão despertando para sua força e acima de tudo suas intenções em dar o troco à corrupção e políticos enganadores.

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EM QUEM ACREDITAR

Tarefa difícil essa do cidadão brasileiro. Num momento como este em que estamos vivendo em quem podemos acreditar?

Não é para menos, a cada dia que passa mais e mais envolvimentos de corrupção. O lamaçal está generalizado.

Uma coisa é certa: Todos queremos apurar as denuncias e não abrimos mão de punição aos culpados. Pesquisa de opinião divulgada recentemente aponta que 86% dos brasileiros querem a apuração dos fatos. Dentro do próprio partido do governo, 65% dos integrantes confirmam que há corrupção.

A grande maioria dos brasileiros já nem atenta mais para tais fatos. As frases mais comuns são: quem não sabe que existe corrupção? Ou nem vou ver essa pouca vergonha, são um bando de ladrões...

Todos ouvimos isso uma vez ou outra e hoje essas frases estão mais comuns. O descrédito na classe política é grande. O brasileiro somente comparece às urnas porque o voto é obrigatório. A decepção seria tão grande se o voto fosse facultativo. Talvez a reforma política devesse debater essa questão.

Diante de incredulidade do povo, muitos confiam apenas em sua força de trabalho e na sua própria vida. O que acontece em nosso meio é deixado de lado, também pudera: EM QUEM ACREDITAR?

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A POLÊMICA DO TRABALHO INFANTIL

Se por um lado nossa legislação impede o trabalho de jovens com menos de 16 anos, por outro lado, o que devemos fazer com esses jovens que não conseguem serem sustentados por seus pais?

Essa é a grande questão. O dia 12 de junho foi adotado como o Dia Internacional contra o trabalho infantil. No Brasil o governo vem tentando inibir esse trabalho a duras penas. No mesmo momento em que disponibiliza políticas publicas para manter o jovem na escola em outro momento se depara com corrupção na entrega da bolsa escola. Quem não precisa do benefício está recebendo, em contrapartida, quem realmente necessita nem sequer tem emprego.

Já está na hora de conceder aos pais dos jovens, empregos dignos e acesso à escola pública. Já está na hora de conceder ao jovem brasileiro um objetivo de vida e não apenas as ruas e o desemprego para seu futuro.

Temos fórmulas que jamais foram tentadas a implementar, basta boa vontade governamental. Podemos aproveitar nosso país e implementar escolas técnicas tanto agrícolas como industriais e aproveitar o jovem para que preencha essa lacuna, como forma de qualificar profissionalmente quando ingressar no mercado de trabalho.

O maior problema que temos hoje em nosso país são os grandes aglomerados urbanos. Isso poderia ser resolvido facilmente com a criação de escolas de formação, onde estaríamos levando o jovem para estudar num período de sua vida onde acontecem os maiores problemas, ou seja, busca de sobrevivência através da criminalidade, drogas e dinheiro fácil, com uma expectativa de vida muito curta.

Não basta apenas dar uma bolsa escola, para manter o jovem na escola, precisamos tratar isso de maneira séria e em longo prazo, com políticas públicas sustentáveis e de longo alcance.

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TRÊS BRASIS

  • O Brasil do Governo.

  • O Brasil dos corruptos.

  • O Brasil do povo.

Infelizmente temos algumas escalas em nosso meio. O Brasil do Governo nada tem a ver com o país que o povo almeja e com a realidade dos cidadãos. Já o Brasil que o Governo vê é uma maravilha para os corruptos que a cada dia parecem que estão florescendo em nosso meio. E de um lado o povo querendo que os processos de corrupção sejam apurados, de outro o Governo com a leitura de que tudo é política tentando impedir a caça aos grandes corruptos da nação.

Não tem este texto a intenção de apresentar uma fórmula milagrosa para acabar com a corrupção, a qual existe com certeza, mas tem a intenção de fazer uma reflexão com os brasis que existem.

Enquanto o povo brasileiro confia em governos a comunidade mundial nos vê como consumidores e um mercado consumidor com 80 milhões de pessoas é disputadíssimo. Diante desse fato, as ações governamentais acontecem olhando por esse prisma. Não fosse isso, a busca desenfreada para a geração de superávit primário não estaria acontecendo e estaríamos vivendo às nossas próprias custas. Os bilhões de dólares que mandamos anualmente para pagamento de serviços da dívida muito bem poderiam estar sendo usados na construção de nosso país. Poderíamos ter buscado um acordo com o FMI, alongando nossa dívida, onde estaríamos pagando apenas uma parte dos juros e o restante aplicando no desenvolvimento e no crescimento econômico, gerando emprego ao nosso povo.

Com esse quadro, no afã do governo em gerar dólares a guarda fica aberta aos corruptos que buscam de todas as formas tirar proveito, especialmente da previdência e da merenda escolar. A fileira de corruptos parece interminável, enquanto o povo padece no desemprego e vendo as atrocidades cometidas por lacaios que sequer são punidos pela nossa justiça.

Em resumo, o Brasil que almejamos é aquele onde o cidadão é respeitado, utilizando os serviços que o Governo deve propiciar, com direito ao mínimo garantido pela Constituição Federal, ou seja, habitação, saúde, segurança, saneamento e educação. Mas o provimento disso poderia ser simplificado se existisse pelo menos condição do povo estar sendo remunerado honradamente com emprego.

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MORTALIDADE INFANTIL

Pelos dados divulgados pelo IBGE, a falta de saneamento básico em nosso país é causa do alto índice de mortalidade infantil. No estudo apresentado, foram identificados 1.159 municípios no Brasil com taxas de mortalidade acima de 40 por grupo de mil nascimentos. A grande maioria desses municípios encontra-se no Nordeste Brasileiro.

Esses dados chocam e nos levam a muitas indagações. Somos um país rico com uma população pobre. As riquezas produzidas em nosso país deveriam ser no mínimo canalizadas para dar qualidade de vida ao cidadão brasileiro.

Infelizmente às vezes nos parece que nossos governantes estão mais preocupados com os problemas de fora do que os internos. O perdão da dívida de Moçambique na África, por exemplo, com esse valor o saneamento básico no Brasil poderia sofrer uma injeção de recursos, poderíamos diminuir e em muito a mortalidade infantil por falta de saneamento.

Vivemos nos perguntando: será que não entendemos de política ou será que os detentores do poder de governar não entendem das necessidades da sociedade?

Queremos apresentar soluções para isso. Não basta apenas criticar, precisamos debater essas questões nos fóruns existentes e entre eles estão o Senado Federal e a Câmara Federal. Queremos ver tais assuntos discutidos nessas instâncias. O perdão de dívidas externas de paises africanos são mais prioritários que a vida de brasileiros? Assistimos estarrecidos no Jornal Nacional do dia 05 de maio, uma jovem adolescente de apenas 16 anos deu a luz a trigêmeos, os quais faleceram por falta de estrutura no hospital no sul do Pará.

Até quando vamos suportar essa situação? Precisamos de fato nos envolver na resistência aos desmandos de governos que não estão preocupados com a vida do nosso povo.