Fundos de pensão perdem R$ 16 bi em um dia com queda de ações da Vale


As perdas bilionárias da Vale em um único dia acertaram em cheio os fundos de pensão, e levantaram dúvidas sobre a viabilidade de venda da participação das fundações na mineradora, em 2019. A Litel é um veículo de investimento que reúne a Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil), Petros (Petrobras), Funcef (Caixa Econômica Federal) e Funcesp (empresas elétricas do Estado de São Paulo). Somente nesta segunda, o recuo das ações da mineradora levou a perdas de cerca de R$ 16 bilhões na Litel, cujo valor de mercado era de R$ 65,3 bilhões, na sexta, e caiu para R$ 49,3 bilhões.

O valor dessa perda é aproximado pois considera só as oscilações em bolsa da Vale, no pregão desta segunda, e não leva em conta as diferentes formas de cálculo de cada fundo de pensão — valor econômico ou valor de mercado –, nem os aspectos tributários. Se a Previ contabilizasse a participação ao sabor das altas e baixas diárias, apenas na segunda as perdas em bolsa seriam de quase R$ 13 bilhões. Na sexta, o valor de mercado da participação da Previ na Vale, via Litel, era de R$ 52,6 bilhões, valor que caiu para R$ 39,7 bilhões. A fatia do fundo de pensão na Litel é de 80,6%.

Na última divulgação de resultados da Previ, a fatia da Vale era avaliada em mais de R$ 45 bilhões e representava 50,65% da carteira de renda variável e 25,14% do patrimônio do fundo. Até agosto, a avaliação de Litel era feita anualmente pelo valor econômico e, em setembro, passou a ser mensal, determinada a partir de uma média ponderada das cotações do trimestre anterior. A mudança contribuiu para que a Previ registrasse superávit em 2018 no Plano 1, de benefício definido, onde concentra a participação.

Procurada, a Previ disse que ainda é cedo para falar em desdobramentos financeiros e que não tem “qualquer urgência” de venda da sua posição em Vale. “Temos um colchão de liquidez que nos dá conforto e que nos permite aguardar o desenrolar dos fatos.” Na Petros, a participação em Vale corresponde a cerca de R$ 4 bilhões e a concentração na mineradora está dentro dos parâmetros de risco. A suspensão dos dividendos anunciada pela companhia não compromete a liquidez, afirmou o fundo. Procuradas, Funcef e Funcesp não comentaram.

Em dezembro, o diretor de investimentos da Previ, Marcus Madureira, disse ao Valor que a fundação avaliava fazer uma venda de parte de sua fatia na Vale em 2019. A proposta era distribuir as ações para os acionistas da Litel para que cada um adotasse estratégia individual, sem prejuízo de operação conjunta. Nos bastidores, após o rompimento da barragem em Brumadinho, alguns fundos de pensão defendem que a operação de venda de Vale ainda possa ocorrer neste ano.

Há analistas que veem que a produção da Vale não foi comprometida com o acidente e os papéis têm potencial de alta, além de estarem longe do seu ponto mais baixo. Porém, pesam as incertezas sobre o futuro da mineração e o desempenho das ações da Vale ao longo dos meses, comprometendo uma possível venda. Outro acionista relevante da mineradora, a Bradespar perdeu R$ 2,9 bilhões de valor de mercado após a queda de Vale. As ações ONs de Bradespar caíram 25,16% e as PNs, 24,49%. (Fonte: Valor Econômico)


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