Junho Vermelho, o momento de salvar vidas


Uma pessoa pode vir a precisar de uma transfusão de sangue por vários motivos. Mas a situação dos bancos de sangue é preocupante. Cabe à população brasileira mudar esse quadro (Por Natália Mancini)

Doar sangue não é apenas um ato de solidariedade, é, principalmente, um ato que salva vidas! Infelizmente, no Brasil a cultura desse tipo de doação é muito pequena. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), apenas 1,6% dos brasileiros doam sangue, sendo que o número ideal seria entre 3% a 5%.

Para ajudar a mudar esse cenário, campanhas e movimentos como o Junho Vermelho foram criados.

O sangue é uma mistura de várias células que se renovam e estão suspensas em um líquido chamado plasma. É ele que leva o oxigênio e nutrientes para todos os tecidos e órgãos do corpo humano. Além de também transportar os hormônios pelo organismo e retirar dos tecidos as sobras das atividades celulares. Ou seja, ele é essencial para a nossa sobrevivência!

Infelizmente, apesar de cientistas já terem conseguido fabricar sangue artificialmente, ele ainda não está sendo comercializado. E mesmo se estivesse, provavelmente seria extremamente caro.

Então, o único jeito de alguém que esteja precisando de sangue conseguir esse líquido é por meio da transfusão. Mas para que a transfusão possa acontecer, é necessário que alguém tenha feito a doação do seu sangue em um hemocentro.

Ressaltando que são vários os motivos que uma pessoa pode necessitar de uma transfusão. É possível que ela tenha sofrido um acidente, tenha que passar por uma cirurgia, esteja em tratamento oncológico, por conta de uma leucemia aguda, entre outros. Ou ainda ela pode ser paciente de talassemia maior, um tipo de anemia rara que tem como parte do tratamento as transfusões sanguíneas – cerca de 4 bolsas de sangue a cada 20 ou 30 dias, em média, durante toda sua vida.

Doação de sangue no Brasil 
Atualmente, 1,6% da população brasileira doa sangue, isso significa 16 a cada mil habitantes. Como vimos, a Organização das Nações Unidas (ONU), considera que essa quantidade não é satisfatória.

A Organização Pan-Americana de Saúde revela que 59,52% das doações são espontâneas. Ou seja, são de pessoas que buscaram o hemocentro voluntariamente e não direcionaram a sua contribuição para ninguém especificamente. Esse número é proporcionalmente menor que na Nicarágua (100%), Cuba (100%), Colômbia (84,38%) e Costa Rica (65,74%).

Uma pesquisa realizada pelas associações Abrasta e Abrale com 50 doadores de sangue apontou que 54% dos respondentes realizou o ato entre 1 e 5 vezes ao longo da vida. Sendo que 36% não doa sangue há mais de 1 ano e 58% doa, no máximo, uma vez por ano. O que é uma frequência baixa se considerarmos que os homens podem doar 4 vezes por ano e as mulheres 3.

É com o intuito de aumentar esse número que nascem as campanhas de doação para incentivar que a população contribua. A mais conhecida é a Junho Vermelho, criada pelo Movimento Eu Dou Sangue.

Como surgiu a Junho Vermelho?
Debi Aronis, fundadora do Movimento Eu Dou Sangue, conta que primeiro eles se aprofundaram no universo do sangue para entender os pontos e dificuldades. Além de também conversar com diversos hematologistas, bancos de sangue e hemocentros.

“Pedimos a opinião de pessoas do ramo a respeito da ideia de criar o Junho Vermelho. Quando nos convencemos de que este poderia ser o caminho, entramos em contato com a Ilume. Pedimos o acendimento de prédios e monumentos públicos, além de empresas, hospitais e instituições. Daí por diante tivemos muito empenho e ouvimos muitos ‘não’, mas sem desanimar”, relata Debi.

Segundo ela, a grande sacada dos meses coloridos é a rapidez e simplicidade em estabelecer uma comunicação com a população. A iluminação de led e seu baixo consumo de energia facilitam que a iniciativa privada e o poder público se engajem em diversas causas desse tipo.

“Mas se por um lado a visualização da cor é imediata, a identificação da cor com a causa não é. Por isso a comunicação e divulgação são fundamentais. Se não, as pessoas ao verem uma fachada iluminada, não saberão a que causa se refere”, ressalta a fundadora.

O Dia 14 de junho foi escolhido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como Dia Mundial do Doador de Sangue. Essa data homenageia Karl Landsteiner (1868 -1943), médico e biólogo austríaco naturalizado americano. Em 1930 ele ganhou um Prêmio Nobel pela classificação do sistema ABO e descoberta do Fator Rh.

Como complemento, existem os fatos de que em junho está chegando o inverno, há um aumento das infecções respiratórias, começam as férias escolares e aumentam os acidentes nas estradas. Consequentemente, os bancos de sangue registram uma queda de até 30% no volume de doações.  “Com tudo isso, ficou claro para nós que junho é o mês ideal!”, diz Debi.

Os grandes desafios

Como nem tudo são flores, a fundadora do Movimento Eu Dou Sangue conta que o principal desafio é a quantidade de campanhas coloridas. “Como em tudo na vida, o excesso é nosso maior inimigo. Não faltam causas relevantes e a conscientização é fundamental para todas. No entanto o ano só tem doze meses e já está faltando mês para tanta cor e causas”, conta ela.

Debi afirma que com isso, o impacto inicial que as campanhas teriam é perdido. Simultaneamente, os organizadores deste tipo de iniciativa precisam encaminhar cartas, ofícios, e-mails solicitando a adesão do poder público e da iniciativa privada. Precisam também reforçar a mensagem com ações paralelas para que haja a adesão.

Mas, ela conta que mesmo com todas as dificuldades, o Junho Vermelho vale a pena. A hemorrede do Estado de SP apontou em 2016 um aumento de 30% no volume de doações. Entretanto, infelizmente, é um aumento que não se mantém ao longo do ano.

“No momento que a cultura da doação de sangue for internalizada pela nossa sociedade e o percentual de doadores frequentes atingir os 3%, estabelecidos pela OMS como ideal para um país, o Movimento Eu Dou Sangue terá atingido seu objetivo”, finaliza Debi. (Fonte: Abrale)


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