Com falta de peças, Volks vai aplicar acordo que prevê redução de jornada e salário


Corte será aplicado em julho, na volta das férias coletivas. Além do ABC, produção parou em Taubaté e em São José dos Pinhais. Falta crônica de peças e componentes atinge todo o setor automobilístico - foto divulgação - 

Com a continuidade da crise provocada pela falta de peças e componentes eletrônicos, que atinge a produção, a Volkswagen vai aplicar acordo que prevê redução de jornada de trabalho e salários na fábrica de São Bernardo do Campo. A partir de julho, a jornada será reduzida em 24% e os salários, em 12%. A unidade tem 8.200 funcionário, sendo 4.500 na produção.

As medidas fazem parte de acordo negociado entre a empresa e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, válido até 2025. Nesta quarta-feira (22), diretores do sindicato realizaram assembleias internas na fábrica para comunicar as medidas. A Volks fará a redução na volta das férias coletivas, que vão da próxima segunda-feira (27) até 7 de julho. A montadora interrompeu também a produção nas unidades de Taubaté (SP) e São José dos Pinhais (PR).
 
Até então, segundo o diretor administrativo Wellington Messias Damasceno, a montadora pretendia suspender um turno de produção. “Negociamos a redução de jornada justamente pelo impacto que a decisão teria. Não só para os trabalhadores na Volks, mas para toda a cadeia de produção, principalmente para os trabalhadores terceiros”, observou. “Buscamos a alternativa garantida no acordo e que não impactasse em toda a cadeia produtiva. É a melhor ferramenta que temos para o momento, que será avaliada mês a mês e pode sofrer alterações até a normalização da situação.”

Política industrial e investimentos
Além disso, ele lembrou que os trabalhadores continuam cobrando da empresa uma previsão sobre a normalização do fornecimento. “O mundo vive hoje o problema de falta de peças. Não só semicondutores. Há uma série de produtos que estão faltando no mundo todo.” O dirigente ressaltou a importância do acordo no momento atual da indústria. “Essa situação tende a ser levada por um bom tempo, mas temos um acordo que estabelece previsibilidade, traz ferramentas de flexibilidade para momentos como este, garante investimentos e a permanência da fábrica em São Bernardo”, disse Damasceno.
 
Ao mesmo tempo, o metalúrgico critica a falta de uma política industrial no país. “Nós não temos uma política industrial que garanta que parte dos produtos que importamos sejam feitos no Brasil. Política industrial não é o que esse governo faz de zerar imposto para a importação para trazer de fora carros elétricos e ônibus que poderiam ser produzidos aqui gerando empregos.” (Fonte: RBA)

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