Brasileiro adota inteligência artificial, mas teme perder emprego, diz estudo


Relatório da Ipsos mostra que Brasil é otimista em relação ao uso da tecnologia e já sente os efeitos no mercado de trabalho (Por Breno Damascena) - Imagem gerada pela IA -

Resumo
A popularização da inteligência artificial no Brasil gera entusiasmo e preocupação, segundo o Monitor de IA 2026 da Ipsos. 56% dos brasileiros veem mais benefícios que desvantagens, mas 42% temem perder empregos para a tecnologia. Luciana Obniski, da Ipsos, destaca o otimismo brasileiro, apesar do medo do desemprego. A IA já impactou 48% dos brasileiros, e 60% acreditam que melhorará a produtividade. Em contraste, países como EUA e França mostram maior resistência à adoção da IA.
A popularização da inteligência artificial desperta dois sentimentos bem humanos nos brasileiros: entusiasmo e preocupação. Dados do novo Monitor de Inteligência Artificial (IA) da Ipsos 2026, divulgados com exclusividade ao Estadão nesta segunda-feira, 8, indicam que 56% dos brasileiros acreditam que a IA traz mais benefícios do que desvantagens. No entanto, quase metade dos respondentes tem medo de perder o emprego para a tecnologia.

De acordo com o estudo, os impactos da IA são altamente percebidos pela população brasileira. Com a difusão de ferramentas de linguagem generativa, como o ChatGPT e o Gemini, quase metade (48%) concorda que produtos e serviços com IA mudaram profundamente sua vida diária nos últimos 3 a 5 anos, enquanto 59% acreditam que vão continuar impactando.

“O brasileiro tem um nível de otimismo com a IA acima da média global e adota inovações com mais tranquilidade. Porém, existe um paradoxo. Ao mesmo tempo que usamos para aumentar a produtividade no trabalho, existe o temor de ficar desempregado”, explica Luciana Obniski, líder de curadoria e tendências na Ipsos no Brasil.

Em relação ao impacto percebido, o Brasil está bem à frente de países como a França (32%), Alemanha (33%) e Estados Unidos (36%), que demonstram uma resistência maior em relação à adoção da IA na rotina. “Os EUA e a Europa têm um alto nível de preocupação com segurança da informação, vazamento de dados e sofrem menos com deslumbramento tecnológico”, explica Obniski.

De fato, países asiáticos e latinos estão entre os que mais declararam terem sido impactados pela IA nos últimos cinco anos.

No topo desse ranking, a China tem 85% dos entrevistados que acreditam que a IA impactou profundamente sua vida nos últimos 3 a 5 anos. Para 88%, a tecnologia vai continuar impactando profundamente sua vida nos próximos anos. “Historicamente, a China adota tecnologias com mais tranquilidade”, diz Obniski.

“Aspectos culturais e sociais justificam esse cenário. Os chineses têm mais estabilidade de emprego e o temor de ficar desempregado é menos cultural por lá”, afirma. “Além disso, a China está mais acostumada com as tecnologias, pois adota ferramentas de IA antes mesmo da popularização das ferramentas de linguagem generativa”.

Essa perspectiva se reflete na leitura da economia. No Brasil, 34% dos entrevistados entendem que o uso da IA vai melhorar a economia do País, 30% acham que vai continuar a mesma coisa e 24% acreditam que vai piorar. Na China, 77% acreditam que vai melhorar, 14% entendem que vai continuar na mesma e apenas 6% acham que vai piorar.

Mercado de trabalho
A adoção da IA no mercado de trabalho se tornou fundamental para otimizar o tempo e a realização de diversas atividades. O Monitor de IA 2026 da Ipsos revela que dois terços dos trabalhadores (62%) em 32 países afirmam que a IA lhes poupou tempo no trabalho nos últimos 12 meses.

Aqueles com renda mais alta são, em média, mais propensos a concordar que a IA lhes economizou tempo (70%) do que aqueles que vivem em famílias de renda média e baixa (60% e 54%, respectivamente). Entre os brasileiros, 6 em cada 10 trabalhadores (59%) afirmam que as ferramentas de IA economizaram seu tempo no trabalho no último ano.

Além disso, 60% dos brasileiros acreditam que a IA vai melhorar o tempo que levam para realizar suas tarefas nos próximos 3 a 5 anos e 65% acreditam que a tecnologia mudará a forma como realizam seu trabalho atual nos próximos cinco anos.

Por outro lado, o receio de que a IA torne o próprio emprego pior atinge 29% da população, um índice próximo aos 33% que veem um impacto negativo no mercado de trabalho como um todo.

O medo do desemprego causado pela popularização da IA no Brasil está acima da média global (35%). Segundo o levantamento, 42% dos brasileiros acreditam que é provável que a IA substitua seu emprego nos próximos cinco anos.

“O medo de perder o emprego faz parte da realidade do brasileiro desde antes da popularização da IA. Isso é reflexo das crises econômicas que vivemos. Então, sempre que surge uma tecnologia que pode substituir postos de trabalho, há receio”, comenta Obniski. “A dimensão da IA ainda é desconhecida, o que intensifica esse sentimento”.

Menos criatividade humana

O estudo também mostra que existe uma abertura surpreendente para a IA em áreas criativas. Segundo a Ipsos, 55% dos brasileiros estão confortáveis com a IA escrevendo roteiros de filmes ou programas de TV e 63% estão confortáveis com a escrita de notícias e artigos. No Canadá, por exemplo, apenas 21% se sentem confortáveis com a produção de cinema usando IA e 28% na produção de notícias.

Onde o brasileiro mais “pisa no freio” é na política e finanças. Apenas 35% se sentem confortáveis com IA criando anúncios políticos e 37% com a IA gerenciando suas finanças pessoais. (Fonte: Estadão)

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