| SAÚDE | ESTATÍSTICAS |
Trabalho pesado
Mesmo após conquistar avanços significativos, as
mulheres ainda estão longe de vencer o preconceitoA década de 90 foi um marco na transformação do mercado de trabalho e o principal agente da mudança foi a mulher, que conquistou mais espaço e direitos e se mostrou tão capaz quanto o homem de executar qualquer tarefa. No Brasil, as mulheres representam 41% da força de trabalho e ocupam 24% dos cargos de gerência. Entre 1985 e 1995, a atividade feminina aumentou 16,5%, ou 12 milhões de pessoas em dez anos, o suficiente para elevar em 63% a sua participação na população economicamente ativa. No entanto, mesmo quando são mais instruídas, elas ganham menos do que os homens. Nos postos de comando, não participam das principais decisões da empresa.
Hoje as mulheres correspondem a 26% dos chefes de família no País. Em 1980, eram 15%. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, apenas 3% das mulheres ocupam altos cargos nas corporações. No Brasil, metade das chefes de família trabalham na informalidade...
A idéia do homem como provedor exclusivo acabou na década passada....Além de trabalhar, a mulher cuida dos filhos e da casa. Está mais sujeita a demissões e têm maior dificuldade para se recolocar no mercado. Muitos reflexos da situação de trabalho decorrem de fatores biológicos..Menstruação, gravidez e TPM são alguns desses fatores que desvalorizam a trabalhadora. Em países desenvolvidos como a Suécia, a licença maternidade é de 12 meses, três vezes mais do que no Brasil. Nos Estados Unidos e na Europa, mães de crianças pequenas contam com o amparo do governo até da empresa onde trabalham... Em alguns países, porém, o Estado divide as responsabilidades. E quem ganha com isso não é apenas a mulher. Estudos sobre produtividade já mostraram que esse tipo de iniciativa estimula e melhora o desempenho dos funcionários.
Competição –Levantamentos do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) indicam que hoje elas ganham o equivalente a dois terços do salário do homem. ...
De acordo com o último levantamento da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad), de 1999, as brancas têm 7,9 anos de estudo, contra 7 dos homens brancos. As negras vêm a seguir, com 5,6. Os negros têm somente 4,6. ...
Atualmente é mais fácil encontrar profissionais do sexo feminino em postos de comando, mas a mobilidade raramente chega ao ponto onde são tomadas as grandes decisões. “As mulheres estão atingindo posições melhores antes dos homens. A diferença é que elas não têm acesso ao poder”, ....E, se depender do prognóstico da OIT, ninguém estará vivo no dia em que os sexos atingirem condições de igualdade. A previsão da entidade é que isso ocorra somente daqui a 470 anos.
Fonte: CEFEMEA (texto parcial)
DECRETO DE 17 DE JANEIRO DE 2007
Data: 18/1/2007Convoca a II Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres.
O Presidente da República, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso VI, alínea "a", da Constituição,
DECRETA:
Art. 1º Fica convocada a II Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, a se realizar de
18 a 20 de agosto de 2007, sob a coordenação da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, da Presidência da República, e do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, com o objetivo de analisar e repactuar os princípios e diretrizes aprovados na I Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres e avaliar a implementação do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres.Art. 2º A II Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres adotará o seguinte temário:
I - análise da realidade brasileira: social, econômica, política, cultural e os desafios para a construção da igualdade na perspectiva da implementação do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres;
II - avaliação das ações e políticas propostas no Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, sua execução e impacto; e
III - participação das mulheres nos espaços de poder.
Art. 3º A II Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres será presidida pela Secretária Especial de Políticas para as Mulheres ou, na sua ausência ou impedimento eventual, pela Secretária- Adjunta daquela Secretaria.
Art. 4º A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres expedirá, mediante portaria, o regimento da II Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres.
Parágrafo único. O regimento disporá sobre a organização e o funcionamento da II Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, inclusive sobre o processo democrático de escolha de seus delegados.
Art. 5º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 17 de janeiro de 2007; 186º da Independência e 119º da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
DILMA ROUSSEFF
+ sociedade
Segunda onda feminista, que teve seu apogeu com Betty Friedan, nos anos 60,
libertou as mulheres da noção de gênero "inferior", do século 19, e estendeu o
conceito de cidadania a outros grupos marginalizados.
O sexo plural
Quando, em 1963, Betty Friedan publicou "A Mística Feminina", em que denunciava
as inúmeras estratégias de confinamento das mulheres na esfera doméstica e os
mecanismos pelos quais sua identidade era vinculada estritamente à maternidade,
estávamos longe de conhecer o significado da palavra filoginia, que indica o
amor pelas mulheres. Naquela época, há apenas quatro décadas, a expressão
"mulher pública" era sinônimo de prostituta, estando também longe de nomear a
governante ou a cidadã comum.
A experiência de viver em um mundo hostil à cultura
feminina era bem conhecida pelas mulheres, porém poucas vezes fora transformada
em grito de guerra. Se no início do século 20 um feminismo tímido trazia
reivindicações pelos seus direitos civis, foi somente com a "segunda onda
feminista", desde os anos 60, que a luta se radicalizou, afetando todos os
âmbitos da vida social, política e cultural. Percebemos, então, que mal
escutávamos nossas próprias vozes.
Feminismo e democracia
No Brasil, essa luta se combinou com a resistência contra a ditadura militar
e não tardou a encontrar um outro movimento das mulheres que, na periferia das
cidades, exigiam melhores condições de vida, transporte e moradia para a
população, esquecendo-se dos direitos específicos das mulheres propriamente.
Desde então, o feminismo não cessou de ganhar espaço na vida cotidiana e no imaginário social, mesmo que muitos ainda o vejam como um movimento ultrapassado de mulheres "machas, feias e mal-amadas", na expressão do escritor Oswald de Andrade, retomada pelos "rapazes" do "Pasquim".
O feminismo propõe a destruição da monarquia no pensamento e nas práticas sociais
É verdade que, se consultarmos as estatísticas, ficaremos chocadas ao saber que uma em cada cinco mulheres, no país, sofre com a violência doméstica; que as mulheres têm baixíssima participação na política institucional; que o aborto ainda é considerado crime; e que a exploração sexual atinge em cheio também as crianças. Da cidade à política, não há dúvida de que o mundo continua pertencendo aos homens, que definem suas regras, quando conseguem escapar de suas guerras.
Contudo, quando olhamos para outra direção, surpreendem-nos as crescentes conquistas feministas, a começar pela autonomia feminina. Está claro, hoje, que o feminismo libertou as mulheres da "mulher", esse universal definido pela medicina vitoriana, que instituiu a inferioridade física, intelectual e moral do "sexo frágil" em relação ao homem, com base em sua constituição biológica.
Mais que isso, porém, são notáveis suas contribuições no âmbito do pensamento, da ciência, da política, na interpretação da sexualidade e na construção de um novo código ético. A criação de uma área de "estudos feministas" em quase todas as universidades do Ocidente permitiu inovar profundamente não apenas em relação à visibilidade que ganham as mulheres nos processos históricos e sociais, mas na crítica às narrativas universalizantes de interpretação do mundo.
Percebeu-se, na prática, as limitações dos conceitos
masculinos, inscritos na lógica da identidade, incapazes de dar conta da
diferença, sejam das práticas femininas, seja de outros grupos sexuais e
étnicos.
Contra a marginalização
Na área política, o feminismo questionou os conceitos básicos que sustentam
os princípios liberais, como o universalismo, a idéia de liberdade e igualdade
originados a partir do contrato social, denunciando que este se constituiu a
partir da exclusão de muitos e que, portanto, a construção de uma esfera pública
autônoma só seria possível pela perspectiva da diferença, e não da igualdade. A
crítica feminista promoveu um deslocamento radical de perspectiva ao colocar-se
ao lado dos grupos sociais marginalizados -e não apenas das mulheres.....
Criaram-se instituições especificamente voltadas para as questões femininas,
para além dos espaços abertos nos movimentos sociais, nos sindicatos, nas
centrais de trabalhadores e nos partidos, enquanto muitas questões privadas
foram trazidas para a esfera pública.....
É preciso levar em conta a tradição política autoritária do Brasil, onde nunca
se formou uma clara noção de esfera pública moderna e de direitos do cidadão. As
mulheres foram consideradas mais irracionais do que os homens pobres, além de
mais sensuais do que as dos países de tradição puritana.
Discutir a sexualidade no Brasil ganha importância, pois, com base no argumento da "sensualidade tropical" como característica fundamental das brasileiras, das índias nuas às mulatas carnavalescas, justificou-se a dominação patriarcal e sua exclusão do mundo dos negócios e da política.
O feminismo questionou essa leitura hierarquizadora e excludente da política, mostrando como se opera a exclusão social das mulheres e o silenciamento e a desqualificação de seus temas e questões. Lutou e luta para que as mulheres se reconheçam como sujeitos políticos, enquanto cidadãs com deveres e direitos a serem reconhecidos e criados.......
Nesse sentido, longe de pretender destronar o "rei" para colocar em seu lugar uma "rainha", o feminismo propôs a destruição da monarquia no pensamento e nas práticas sociais, inclusive no interior de si mesmo. Afinal, hoje as feministas dificilmente aceitariam falar em nome de um único feminismo, pluralizando, pois, suas definições e campos de atuação.
Quando visitou o Brasil, nos inícios dos anos 70, Friedan foi recebida pela grande imprensa com adjetivos bem pouco elogiosos. Talvez seja o momento de agradecê-la por algum dia ter convulsionado nossos pequenos mundos, com a ousadia e a coragem que demandam as práticas da liberdade.
Margareth Rago é professora titular do departamento de história da Universidade Estadual de Campinas (SP)/Folha de São Paulo- 12/02.06.(parcial)
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Risco de pobreza na velhice é maior entre as mulheres
A
constatação faz parte de estudo recente do Banco Mundial, no qual a instituição
abordou a questão da pobreza na velhice, assim como defendeu a realização de
novas reformas nos vários sistemas previdenciários mundiais, que levem em conta
a nova realidade social.
Em seu estudo, o Banco Mundial ressalta o fato de que, apesar do forte aumento
da mão-de-obra feminina, a maior parte dos sistemas previdenciários do mundo,
inclusive o brasileiro, não leva isso em consideração. Mas, no que as mulheres
diferem dos homens, que exige um tratamento distinto em termos de Previdência
Social?
Em primeiro lugar, é preciso considerar que as mulheres, mesmo ocupando posições
semelhantes, ainda têm uma remuneração menor do que a dos seus colegas do sexo
masculino. Na prática, isso significa que irão receber um benefício menor ao se
aposentar. Este é o caso, por exemplo, do sistema brasileiro, no qual a
contribuição à Previdência Social varia conforme a renda.
Não bastasse isso, os sistemas em geral calculam o benefício com base em um
período mínimo de contribuição, o que é determinado em função da premissa de que
os trabalhadores contribuem de forma contínua e crescente ao longo da vida.
Porém, isso nem sempre é verdade, sobretudo entre as mulheres.
E aqui é preciso considerar não só o desemprego, que vem crescendo no mundo
todo, mas, sobretudo, o aumento da informalidade, que faz com que, mesmo
empregado, o trabalhador continue à margem do sistema previdenciário.
No caso das mulheres, particularmente as de menor capacitação profissional e
conseqüentemente remuneração, é preciso considerar também o afastamento para a
criação dos filhos.
Como para muitas delas a remuneração recebida não cobre os custos que terão que
incorrer para contratar alguém para cuidar dos filhos, acabam se rendendo à
realidade econômica e abandonando o mercado de trabalho por alguns anos.
Ao retornar, após alguns anos fora do mercado, não só elas enfrentam dificuldade
de recolocação, como muitas vezes acabam ganhando ainda menos ou permanecem na
informalidade. O resultado de anos sem contribuição é que muitas enfrentam
dificuldades até mesmo de requerer a aposentadoria oficial, mesmo após terem
atingido a idade para se aposentar.
Para aqueles que alegam que estas mulheres devem sobreviver aos seus maridos e,
portanto, poderão gozar do benefício de pensão, além do de aposentadoria, o que
complementaria a sua renda na velhice, o estudo do Banco Mundial lembra que os
índices de divórcio estão aumentando.
Segundo o Banco Mundial, na maioria dos países que compõem a OCDE (Organização
para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) os divórcios são tão freqüentes que
mesmo a sobrevivência de metade dos casamentos parece pouco provável. Aliando
este dado ao fato de que as mulheres vivem mais, o que o estudo prevê, na
prática, é que elas deverão chefiar sozinhas as famílias, e que estão em maior
risco de pobreza na velhice
Esta situação é particularmente preocupante nos países em desenvolvimento, não
só porque os diferenciais salariais tendem a ser maior, mas, sobretudo, porque
nestes países as mudanças no mercado de trabalho e o envelhecimento da população
vêm acontecendo antes do enriquecimento, ao contrário do que ocorreu nos países
desenvolvidos.
O estudo recomenda, portanto, que os regimes de previdência sejam adaptados para
levar a realidade das mulheres em consideração e para evitar que isso aconteça.
Entre a parcela da população feminina que tem como controlar o seu futuro, pois
trabalha e consegue poupar, mais do que aguardar reformas que podem nunca vir, o
recomendável é planejar desde já a sua aposentadoria.
Fonte: InfoMoney
Histórico - Luta das Mulheres pela igualdade
Nos anos setenta, desencadeia-se um amplo debate sobre a condição das mulheres e surgem os primeiros grupos feministas no Brasil, motivados pelos novos movimentos de mulheres que emergiram na América do Norte e na Europa, nos anos sessenta, bem como pela realização da I Conferência Mundial sobre a Mulher (México/1975), e pela instalação da Década da Mulher (1976-85), ambas promovidas pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Nos anos oitenta, os grupos de mulheres se reproduziram e difundiram o ideário feminista sobre a mudança da condição da mulher na sociedade e das relações entre homens e mulheres para os partidos políticos, sindicatos e associações comunitárias, que elaboraram suas próprias formulações. A discussão e a mobilização do movimento de mulheres no país apontam para duas frentes: a jurídica e a institucional-governamental. Em 1985, é criado o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher com o objetivo de formular políticas públicas para as mulheres, que funcionou com apoio governamental e teve legitimidade junto ao movimento de mulheres até 1989. Em 1988, é promulgada a nova Constituição Federal, que assegurou a igualdade entre homens e mulheres na sociedade e na família e reconheceu como direitos básicos, o acesso ao planejamento familiar, a união estável como entidade familiar, a proteção contra a violência no âmbito das relações familiares, e a não discriminação dos filhos nascidos fora do casamento.
Nos anos noventa, os movimentos feministas e de mulheres lutaram pela regulamentação dos direitos e pela sua efetiva implementação, com a demanda de recursos orçamentários para o desenvolvimento de programas e projetos específicos (de combate e prevenção da violência contra as mulheres, de saúde sexual e reprodutiva, de proteção ao mercado de trabalho entre outros). Os movimentos de mulheres e as ONG passaram a atuar no campo do controle social e assumiram a luta pela implantação de medidas afirmativas, considerando-as mecanismos eficazes de superação das profundas desigualdades de gênero acumuladas historicamente. Um dos resultados desse trabalho é a conquista das leis eleitorais de 1995 e de 1997, sendo que a deste último ano contempla artigo de caráter universal, dispondo sobre um percentual mínimo de 30% e máximo de 70% das vagas para candidaturas de ambos os sexos nas eleições proporcionais. A política de cotas por sexo já foi adotada por algumas Centrais Sindicais e Confederações de Trabalhadores,por alguns Partidos Políticos e emórgãos de representação estudantil (UNE e Direções Estaduais).
A Construção da Cidadania Feminina
O termo feminismo surge no século XIX para tornar visível a situação da descriminação da mulher na Sociedade. Desde a Antigüidade a mulher vem sofrendo discriminações. Na Grécia, elas e os escravos ocupavam a mesma posição social. Em Roma, o paterfamilias legitimava o poder do homem sobre a mulher. Na Idade Média, as mulheres passaram a ocupar posições de comando nos negócios familiares e as abadessas tiveram um papel importante na preservação da cultura.
A Idade Média foi palco de uma das maiores perseguições contra a mulher: a "caça às bruxas", quando a Igreja, através do Santo Ofício (Inquisição), liderou o massacre, qualificado como verdadeiro genocídio contra o sexo feminino. Há referências de que no século XIV, em um único dia, foram executadas três mil mulheres. A opressão e discriminação à época eram tamanhas que as estatísticas de morte revelavam que enquanto um homem era queimado vivo na fogueira da Inquisição, dez mulheres tinham o mesmo destino. A inquisição perpetrou crimes silenciosos e permitidos. Joana D' Arc foi um exemplo dessa época. Embora tenha optado pela guerra e chefiado exércitos buscando salvar a França contra os Ingleses na Guerra dos 100 anos, foi acusada de feiticeira, o que ocultou o caráter político de seu processo.
Em 1789, com a Revolução Francesa e, apesar dos inúmeros movimentos na Europa, a mulher permanecia ainda socialmente em segundo plano. Com o fim do feudalismo e início do capitalismo, a França torna-se o palco de protestos, ocasião em que surge o movimento feminista.
Com o advento do capitalismo e das guerras, a mulher é empurrada para fora do lar, deixando de lado a condição de apenas esposa e mãe para integrar o mercado de trabalho. A consolidação do capitalismo trouxe também o surgimento de lutas e organizações pelos direitos da mulher, não só na França, mas na América, Inglaterra e Alemanha.
Em 1791, Olympe de Gouges lança a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã. Por sua coragem e audácia foi condenada à morte e guilhotinada. Em 1848, surge os Manifestos Feministas, inspirados no Manifesto Comunista de Marx, na Convenção de Seneca Falls, em Nova Iorque. As condições de trabalho eram ruins para os homens e muito pior para as mulheres. Foi nesse contexto que 129 mulheres tecelãs da Fábrica de Tecido Cotton de Nova Iorque, em 1857, iniciaram um movimento reivindicatório por aumento salarial e redução da jornada de trabalho para 12 horas, que deu origem a primeira greve organizada por mulheres. Os donos de fábricas norte-americanos patrocinaram a um dos episódios mais absurdos da História: As fábricas foram incendiadas e as operárias trancadas nas instalações da tecelagem, morrendo queimadas.
Clara Zetkin, militante socialista que assumiu a defesa dos direitos da mulher, em 1910, na II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, propôs a data de 8 de março, dia do massacre das operárias tecelãs de Nova Iorque, como o Dia Internacional da Mulher. Em 1917, um movimento organizado em São Petersburgo reuniu 90 mil mulheres numa greve do setor têxtil para exigir pão.
As duas Grandes Guerras mundiais garantiram, em parte, mais espaço às mulheres no mercado de trabalho. Nas décadas de 30 e 40 foram consolidadas importantes conquistas femininas como o direito ao voto. No Brasil, a participação feminina nas eleições foi permitida a partir de 1934, enquanto na França, Itália e Japão, só em 1945. Na Rússia, a Revolução de 1917 garantiu às mulheres o direito ao voto. Um ano mais tarde foram as alemãs e, no seguinte, as norte-americanas que ganharam o direito de ir às urnas. Simone de Beauvoir, em seu livro "O Segundo Sexo", acende o debate nos anos 40 sobre o "masculino e o feminino". Vinte anos depois o tema ganha novo impulso, com o lançamento do livro "A Mística Feminina", de Betty Friedan, que fundou em 1966 o NOW, National Organization of Women. Os anos 60 e 70 foram marcados por vários movimentos feministas, principalmente nos Estados Unidos e na Europa.
As mulheres dão um grande passo e conseguem que a ONU decrete 1975 como Ano Internacional da Mulher, o que revigorou o movimento feminista. Os anos 80 serviram para que os estudos sobre a condição da mulher fossem aprofundados, ocasião em que começaram a surgir os conceitos e a teoria de gênero.
Em 1993, a ONU realiza em Viena a Conferência Mundial dos Direitos Humanos, que reconhecem oficialmente todos os direitos das mulheres como direitos humanos. A Conferência recomendou que toda mulher tenha direito à vida; não seja submetida à tortura nem a tratamento cruel, desumano ou degradante; tenha igualdade na família, tenha acesso às condições de empregos justos e favoráveis, entre outros. Além disso, estabeleceu que compete ao Estado o dever de zelar para que as leis contra a violência e maus tratos familiares, o estupro, os abusos sexuais e outros tipos de violência contra as mulheres.
Em 1995, acontece em Beijing, na China, a IV Conferência Mundial da Mulher. Nas declarações assinadas pelos países presentes, inclusive o Brasil. Os signatários assumem o compromisso de garantir que todas as políticas e programas dos governos reflitam uma perspectiva de gênero. Lá se reconheceu, também, que a promoção da eqüidade entre homens e mulheres é fundamental para se consolidar a democracia e alcançar os objetivos de desenvolvimento e de paz na humanidade.
Fonte: CEDIM
Conselho Estadual da Mulher
O Conselho Estadual da Mulher do Paraná, através da Secretaria Estadual da Justiça e Cidadania propôs junto à Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, a criação do Centro de Referencia e Atendimento à Mulher em Situação de Violência.O Centro terá a principal finalidade de prestar serviços psicossociais e jurídicos que, direta ou indiretamente, contribuirão para o fortalecimento da mulher na prevenção de situações violentas, na recuperação pós-traumática e principalmente no resgate da auto-estima e de condições efetivas para a conquista e reconhecimento da cidadania.
* * * * * * *
UM
RECADO PARA LULA
Rose
Marie Muraro
É
a própria espécie que evolui quando, além de se educarem, as mulheres
partilham o poder com os homens
Um
estudo publicado pelo Banco Mundial ("Engendering Development", Oxford
University Press) mostra que, nos países em que a mulher alcança perto de 50%
do poder, a corrupção tende a cair drasticamente. Entre eles, o estudo analisa
mais detalhadamente cinco casos: Suécia, Noruega, Dinamarca, Islândia e Finlândia.
Se
consultarmos as listas das Nações Unidas sobre os índices de Desenvolvimento
Humano (IDH) e de Desenvolvimento de Gênero (IDG), além dos índices da
Transparência Internacional, veremos que todos encontram-se entre os primeiros
lugares, mostrando assim que transparência, "empoderamento" das
mulheres e desenvolvimento humano estão intimamente ligados.
Esses
países e mais alguns outros- apresentam uma menor desigualdade de renda, maior
grau de instrução da juventude, suporte governamental a mães e pais para
cuidar das crianças pequenas sem a perda dos respectivos empregos, treinamento
dos homens para as suas funções parentais antes e depois do nascimento da
criança, cuidado com os mais velhos bancado pelo governo, vigiados pela
sociedade civil, e assim por diante. Além disso, eles possuem economias mais
integradas, pouca ou nenhuma dívida governamental, inclusive com o FMI etc.
Por
outro lado, os países mais ricos do mundo -EUA, Japão e Alemanha- estão em
posições bem inferiores nesses índices citados.
Foi
somente em 1978 que as americanas conseguiram uma lei que lhes permitiu ficar três
meses em casa e, depois, retornar aos empregos, mas sem receberem salário
durante esse período de licença. E isso até hoje, sendo que a riqueza
americana mais que duplicou!
Observe-se
que mais de 80% das mulheres daquele país pertencem à categoria de empregadas
mal remuneradas, que tiveram pouco ou nenhum ganho com as benesses da
"globalização". Assinale-se também que em nenhum desses países
mais ricos do mundo as mulheres atingiram 20% da participação nos vários níveis
de poder.
Comparemos
esses exemplos com o resultado de outro estudo importantíssimo, do Unicef, o
Relatório da Integração da Infância e da Adolescência Brasileiras (2004),
que mostra que as crianças filhas de mãe com baixa ou nenhuma escolaridade têm
sete vezes mais possibilidades de serem pobres, 11 vezes mais possibilidades de
não freqüentarem a escola (de 7 a 11 anos) e, principalmente, 23 vezes mais
possibilidades de serem analfabetas, se a mãe for analfabeta.
E quais são as inferências que esses três tipos de países poderiam nos
suscitar?
No
meu primeiro livro, "A Mulher na Construção do Mundo Futuro" (ed.
Vozes, 1966), afirmava não ser possível um país se desenvolver se não se
desenvolvesse a sua metade feminina. Isso porque, quando se educavam os homens,
estes tendiam a aplicar os seus conhecimentos construindo pontes e cidades,
sistemas políticos e econômicos, enquanto as mulheres passavam os seus
conhecimentos para os filhos, modificando, assim, a estrutura humana da cadeia
de gerações. Educar um homem era educar um indivíduo, ao passo que educar a
mulher era educar a sociedade.
Hoje
penso de modo um pouco diferente. Não são as sociedades que mudam; é a própria
espécie que evolui quando, além de se educarem, as mulheres partilham o poder
com os homens. Por exemplo: em países mais ricos em que a mulher tem pouca
influência nas estruturas, a competição desenfreada do livre mercado
desequilibra as economias. Segundo Paul Krugman, os 20% mais pobres aumentaram
os seus rendimentos apenas em 58% durante a década de 1990; o 1% mais rico
aumentou-a em 282%; e, para 0,01% do topo da pirâmide, os ganhos cresceram
599%! Excluindo os ganhos de capital, isso torna os EUA não mais uma sociedade
de classes, e sim uma sociedade de castas! ("The Nation", 5/1/04.)
Se
no Brasil o governo e a sociedade se empenharem numa educação para homens e
mulheres, enfocando a importância da educação das meninas, com uma ênfase em
gênero, e se os poderes decisórios abrirem mais oportunidades para as mulheres
nos diversos escalões, certamente o processo de desenvolvimento humano (logo
também o econômico) se agilizará e, consequentemente, expurgará décadas de
estagnação tudo isso praticamente sem custo.
Veja-se
o caso de Cuba, há 40 anos massacrada pelo embargo econômico americano e sem
nenhuma ajuda internacional, o que a põe fora do mercado. Homens e mulheres
exercem igualmente o poder. Os ministros da Defesa, da Fazenda e do Planejamento
são mulheres. A pobreza é grande, mas todos comem; a medicina cubana é uma
das melhores do mundo; e todas as crianças têm primeiro grau completo.
Presidente
Lula, quem sabe se nós conseguimos, juntos, implantar essas políticas que
podem transformar a qualidade do nosso desenvolvimento a partir das mulheres
brasileiras? Essa é a nossa grande esperança.
Rose
Marie Muraro, 73, escritora e feminista, é membro fundadora do Conselho
Nacional dos Direitos da Mulher e autora, entre outros, de "Por que Nada
Satisfaz as Mulheres e os Homens Não as Entendem" (A Girafa Editora,
2004).
Fonte: Site PPS/Mulher
| Comportamento
Mulheres no comando Por José Antônio Rosa* O número de mulheres ainda não é equilibrado com o de homens em cargos de comando. Isso provavelmente decorre de uma mera questão de tempo: há apenas algumas décadas é que as mulheres começaram a entrar para a força de trabalho. Ora, havendo menos mulheres na força de trabalho é natural que haja menos mulheres no comando. Além disso, considere-se que ninguém chega ao comando da noite para o dia; assim, é natural que a proporção de mulheres no trabalho no passado afete a quantidade de mulheres no comando hoje. Mas, tudo isso deve mudar rapidamente e mais e mais as mulheres estarão lá. A questão é: qual o seu grau de preparação para isso? · Quem tem preconceito (homens e mulheres) contra mulheres no comando, é bom mudar a atitude pois preconceito se observa facilmente e trava a carreira, principalmente quando esse é contra quem está acima; · Quem é mulher, tem de preparar-se para o eventual chamado para o comando. Aquelas que ainda guardam resquícios de atitudes negativas quanto à sua própria capacidade de comandar, é bom mudar de idéia pois quando o chamado vem os que não o ouvem costumam perder grandes oportunidades e limitar seus passos futuros; · Quem é homem e tem dificuldade de adaptar ao pretenso jeito feminino de comandar, é bom assumir a mudança comportamental como um desafio de auto-superação. Mais cedo ou mais tarde qualquer um terá uma chefe e aí é bom ser uma parte produtiva nessa equipe; Por fim, quem ainda tem teorias negativas e crenças contrárias à participação feminina, é bom saber que isso provavelmente é preconceito disfarçado, que será atropelado pela marcha inexorável do desenvolvimento. *José Antônio Rosa é professor de pós-graduação em Administração no Instituto Nacional de Pós-Graduação, jornalista, editor e consultor da Manager Assessoria em Recursos Humanos. Fonte: http://www.manager.com.br |
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O futuro tem muitos nomes: para os fracos, ele é inatingível; para os temerosos, ele é desconhecido; para os corajosos, ele é a chance...
Victor Hugo
As diferenças entre homem e mulher são exatamente isso, diferença, não defeito, doença ou demérito. Mulher não é um segundo mas o outro sexo.
Diane Halles
Datas importantes na luta pela igualdade:
24 de fevereiro - Dia da conquista do voto feminino no Brasil;
8 de março - Dia internacional da mulher;
21 de março - Dia internacional pela eliminação da discriminação racial;
30 de abril - Dia nacional da mulher
28 de maio - Dia internacional de luta pela saúde da mulher no Brasil;
28 de maio - Dia de combate a mortalidade materna;
28 de setembro - Dia pela descriminalização do aborto na América e Caribe;
10 de outubro - Dia nacional de luta contra a violência à mulher;
20 de novembro - Dia nacional da consciência negra
25 de novembro - Dia internacional pela eliminação da violência contra a mulher;
1º de dezembro - Dia mundial de combate a aids;
10 de dezembro - Dia mundial dos Direitos Humanos
Fonte: Conselho Nacional dos Direitos da Mulher