Bancos redirecionam crédito para PMEs para linhas garantidas pelo Governo
A carteira combinada de Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil para PMEs alcançou R$ 762,5 bilhões no primeiro trimestre (Por André Marinho)
Os bancos brasileiros mantiveram o apetite pela concessão de crédito a micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) no começo deste ano, mas redirecionaram a carteira para as linhas com mecanismos de garantia pública. Mesmo assim, o segmento registrou um ligeiro aumento na inadimplência, à medida que as primeiras safras dos programas do governo encerram o período de carência.
A carteira combinada de Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil para PMEs alcançou R$ 762,5 bilhões no primeiro trimestre, uma expansão de 8,2% na comparação com igual período do ano passado. Na comparação trimestral, por outro lado, houve retração de 1,3%, sob pressão do BB.
O aumento é explicado principalmente pelos desembolsos nas linhas garantidas pelo governo, como o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) e o Programa Emergencial de Acesso a Crédito com garantia do Fundo Garantidor para Investimentos (Peac-FGI).
Em abril, o ministério da Fazenda acertou um novo aporte de R$ 2 bilhões no FGI, em uma indicação de continuidade da iniciativa. Esses instrumentos chegam a oferecer garantias de até 80% da operação, o que ajuda a blindar o balanço dos bancos de um aperto nas contas de PMEs, que naturalmente são mais vulneráveis ao ciclo econômico.
A característica é particularmente importante em ambiente macroeconômico de juros elevados, que pressiona o fluxo de caixa das empresas de menor porte. “O importante agora para os bancos, em termos de concessão de crédito, é focar em créditos com garantia”, ressalta a head de crédito da Integral Group, Maria Estela Ferraz de Campos.
Itaú em Destaque
O Itaú é o caso mais emblemático na mudança no perfil do crédito a PMEs. O maior banco privado do País registrou uma expansão de 11% no saldo da modalidade, a R$ 302,8 bilhões. No recorte de micro e pequenas empresas, a proporção do portfólio com algum tipo de garantia subiu de 37% para 70%. “Esses programas são chave para que a gente cresça com qualidade, preços competitivos, prazos adequados para as necessidades desses clientes e, portanto, com uma carteira do ponto de vista de risco muito bem defendida”, afirmou o presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho. Para ele, os mecanismos de garantia do governo devem continuar ativos ao longo dos próximos anos, independentemente da gestão à frente do Palácio do Planalto.
No Bradesco, o saldo do crédito para MPMEs avançou 14,4% no confronto anual, a R$ 254,6 bilhões. O Banco da Cidade de Deus respondeu por cerca de 21% de toda a produção de crédito nas linhas de FGI e de Fundo de Garantia de Operações (FGO) do mercado, de acordo com o presidente da instituição, Marcelo Noronha.
Já o Santander Brasil ampliou a carteira de PMEs em 10% em igual base comparativa, para R$ 93,7 bilhões, mas a modalidade ficou praticamente estável na passagem trimestral. O movimento contrariou o direcionamento do banco, que tem procurado crescer desproporcionalmente na linha. “Óbvio que a gente preferia ver um número diferente, em que pese ano contra ano estar perto de 10%, mas aqui a gente foi mais cauteloso, dado o cenário macro”, disse o CEO dp Santander, Mario Leão.
O Banco do Brasil, que tem visto uma deterioração da qualidade de ativos, principalmente no agronegócio, caminhou na contramão dos pares privados. No BB, o portfólio de MPMEs recuou 10% no ano, para R$ 111,4 bilhões. Apesar disso, as operações via Pronampe e FGI avançaram 31,5%, a R$ 37,8 bilhões.
O trimestre, no geral, ficou marcado pelo avanço da inadimplência entre as menores empresas. O cenário de juros restritivos e as incertezas econômicas contribuem para a piora, mas houve também um efeito considerado mecânico. Os programas do governo oferecem um período de carência que pode chegar a 24 meses.
No caso do FGI, a instituição pode solicitar a honra da garantia apenas após 90 dias do inadimplemento. Depois, são mais de 30 dias para pagamento. Nesse ínterim, a operação acaba entrando na métrica de atrasos.
Com isso, a inadimplência MPME do Itaú no Brasil subiu 0,1 ponto porcentual no trimestre e fechou março em 1,9%. Nos próximos exercícios, o indicador pode avançar por volta de 0,2 ponto porcentual, de acordo com Maluhy.
No Santander, o aumento foi mais significativo, 0,5 ponto porcentual, para 6%. O do Bradesco passou de 3,8% para 4,0%, enquanto o do BB permaneceu em elevado patamar, em 8,79%. (Fonte: Estadão)
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