Justiça proíbe Bradesco de fechar único banco de cidade no sertão da Bahia
Macururé, na Bahia, possui uma população oficial de 7,2 mil habitantes (Por Carlos Madeiro) - foto divulgação -
A Justiça da Bahia determinou que o Bradesco mantenha o funcionamento da única agência bancária existente na pequena Macururé, de 7,2 mil habitantes e localizada no sertão do estado.
A liminar, concedida na última quarta-feira pelo juiz Dilermando de Lima Costa Ferreira, da 1ª Vara de Chorrochó, impede que a empresa encerre as atividades de seu PAB (Posto de Atendimento Bancário) —o que estava agendado para ocorrer sexta-feira (19).
A decisão atende a uma ação civil pública movida pela Prefeitura de Macururé após o banco anunciar que encerraria atividades físicas e que as contas seriam migradas para a agência de Chorrochó, cidade vizinha que fica a pouco mais de 30 km.
O Bradesco alegou, para isso, que os canais digitais e sete correspondentes comerciais locais seriam suficientes para suprir a demanda da cidade, mas o argumento não foi aceito pelo magistrado.
"A decisão unilateral do banco de descontinuar o atendimento presencial sem plano de contingência fere o interesse público", afirmou o juiz na decisão.
Procurado pela coluna, o banco informou que não comenta decisões judiciais. O banco tem 15 dias para apresentar sua contestação no processo.
No primeiro trimestre de 2026, o lucro líquido do Bradesco cresceu 16,1%, em comparação ao mesmo período de 2025, chegando a R$ 6,81 bilhões.
Em vídeo no Instagram, a prefeitura comemorou a decisão. "Essa é uma importante conquista para Macururé, fruto da mobilização da população e da atuação do Poder Judiciário em defesa do interesse público."
Folha de pagamento e impacto social
Um dos pontos centrais da decisão é a existência do contrato assinado entre a prefeitura e o banco para o gerenciamento da folha de pagamento de servidores ativos, aposentados e pensionistas.
O magistrado destacou que, ao assumir esse serviço, a instituição aceitou oferecer meios eficazes de atendimento para garantir o acesso a verbas de natureza alimentar (salários).
A decisão ressaltou que o fechamento abrupto também prejudicaria diretamente os 127 servidores locais que possuem empréstimos consignados ativos com o banco.
Além disso, o juiz pontuou que, em uma cidade de pequeno porte com vasta população rural, a exclusão do suporte humano gera graves dificuldades para idosos e usuários com pouco conhecimento digital, que dependem do local para operações como recuperação de senhas e emissão de cartões.
Riscos à segurança e economia local
A sentença também alertou para os riscos de "segurança pública e logística". Segundo a decisão, concentrar saques de folha de pagamento em comércios de pequeno porte (como farmácias e mercados) sem aparato de segurança adequado coloca em risco a integridade física dos usuários.
A transferência do atendimento para o município de Chorrochó também foi vista como um entrave, pois impõe gastos com deslocamento e provoca a evasão de recursos, prejudicando o comércio e a economia de Macururé.
"O processo de reestruturação nos bancos, que envolve fechamento de agências, a redução dos postos de trabalho e a digitalização dos seus processos, vem trazendo inúmeros prejuízos para a população. E destaco que isso leva à transferência direta e de maneira muito objetiva da responsabilidade dessas operações para o próprio cliente e usuário do banco", diz o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Elder Perez.
O que é que isso significa?
"Quando o próprio cliente e usuário realiza as operações financeiras, ele está, na verdade, assumindo o compromisso por aquela operação financeira e, portanto, se houver algum erro, ele é responsável, e o banco não vai responder por um Pix enviado errado, uma recarga de celular que você digita um número errado Os clientes, que já pagam juros altos e tarifas, ainda têm de fazer esse trabalho para o banco." Elder Perez (Fonte: UOL)
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