Impostos sobre salários atingem maior nível em dez anos nos países da OCDE
CDE constatou que os sistemas tributários se tornaram mais progressivos nos países-membros desde 2000 (Por Valentina Romei - Londres | Financial Times) - Imagem Catarina Pignato -
Europeus têm maiores níveis de tributação para trabalhador solteiro médio; Bélgica, Alemanha e França lideram o ranking. Famílias com filhos sofrem aumento ainda maior na área fiscal.
As alíquotas de impostos sobre salários alcançaram o maior patamar em quase uma década nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) para um trabalhador solteiro típico, à medida que governos recorrem à renda do trabalho como uma forma simples de aumentar a arrecadação.
A OCDE divulgou dados, nesta quarta-feira (22), mostrando que, em 2025, um trabalhador sem filhos, recebendo o salário médio nacional, enfrentou, em média, uma carga tributária equivalente a 35,1% dos custos trabalhistas nos 38 países-membros, em grande parte industrializados.
O número aumentou em relação à média de 2024, que foi 34,9%, e representa o maior nível desde 2016. Ele inclui contribuições previdenciárias de empregados e empregadores, além do imposto de renda, e subtrai quaisquer benefícios em dinheiro recebidos pela família desse trabalhador.
OCDE constatou que os sistemas tributários se tornaram mais progressivos nos países-membros desde 2000 - Catarina Pignato
Considerando o trabalhador solteiro médio, a cunha fiscal –diferença entre os custos trabalhistas dos empregadores e o salário líquido dos trabalhadores– aumentou em 24 dos 38 países da OCDE no ano passado. Entre eles estão Alemanha, Israel e Estônia. O Reino Unido registrou a maior alta em relação ao ano anterior. Para a maioria das famílias, incluindo aquelas com filhos, a cunha fiscal média atingiu o maior nível desde antes da pandemia de Covid-19, iniciada em 2020.
Alexander Pick, chefe da unidade de dados tributários e análise estatística da OCDE, disse que os impostos sobre o trabalho continuam "em foco", já que as pressões sobre as finanças públicas forçaram muitos países da OCDE a aumentar a arrecadação. Em média, cerca de metade das receitas tributárias nessas economias já vem da tributação sobre o trabalho.
No entanto, cargas tributárias mais altas sobre o trabalho tendem a enfraquecer os incentivos para trabalhar e contratar, ao reduzir o salário líquido e elevar os custos trabalhistas dos empregadores.
"Tributar o trabalho é simples, comparado com tributar o capital", argumentou Riccardo Marcelli Fabiani, economista da consultoria Oxford Economics. Ele afirmou que há necessidade de mais margem orçamentária depois que muitos governos gastaram acima do esperado durante a pandemia de Covid-19, que iniciou em 2020. Muitas economias agora enfrentam maiores necessidades de gastos com defesa e com populações em envelhecimento, acrescentou Fabiani.
Os governos também estão se preparando para o impacto econômico da guerra no Oriente Médio, que elevou os preços e deve pesar sobre o crescimento.
No Reino Unido, a carga tributária do trabalhador solteiro médio aumentou 2,45% em 2025, chegando a 32,4% dos custos trabalhistas. O aumento se deu devido a maiores contribuições patronais ao seguro nacional (NI) –equivalente à combinação da Previdência Social (INSS) com elementos da Receita Federal– e ao arrasto fiscal, pelo qual as alíquotas efetivas sobem quando os parâmetros tributários não são ajustados à inflação.
Empresas e economistas acusaram o governo de Sir Keir Starmer, primeiro-ministro do país, de agravar uma queda nas contratações e tornar os empregadores menos propensos a contratar jovens com o aumento das contribuições patronais ao seguro nacional.
Já a Estônia elevou a alíquota de imposto de renda de pessoa física de 20% para 22% em 2025. Os aumentos na cunha fiscal na Alemanha e em Israel foram resultado de contribuições previdenciárias mais altas para empregadores e empregados, além do arrasto fiscal.
A alíquota de impostos sobre o trabalho caiu em 11 países. Na Itália, isso ocorreu devido a maiores deduções para trabalhadores com salário médio; também houve queda na Austrália, na Irlanda e nos Estados Unidos.
A OCDE também mostrou que a cunha fiscal para famílias com filhos nos 38 países-membros aumentou mais, em média, do que para trabalhadores solteiros.
A cunha fiscal para um casal com um único provedor recebendo o salário médio e com dois filhos aumentou em 22 países e subiu, em média, 0,46% nos países da OCDE, chegando a 26,2%.
Da mesma forma, a alíquota média para um casal casado com filhos, em que ambos os adultos recebem o salário médio, subiu em 22 países, somando 32%. Na OCDE, o aumento foi, em média, 0,26%.
Os países europeus continuaram apresentando os maiores níveis de tributação para o trabalhador solteiro médio sem filhos, com a Bélgica em 52,5%, a Alemanha em 49,2% e a França em 47,2%.
A OCDE constatou que os sistemas tributários se tornaram mais progressivos nos países-membros desde 2000, com famílias de renda mais alta pagando mais impostos. (Fonte: Folha de SP)
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