Banco J. Safra Sarasin é condenado na Suíça em caso envolvendo Petrobras
O Ministério Público da Suíça condenou o Banco J. Safra Sarasin a uma multa de 3,5 milhões de francos suíços (US$ 4,3 milhões na cotação desta sexta-feira) por não ter tomado todas as medidas organizacionais "razoáveis e necessárias" para impedir a prática ou a tentativa de lavagem de dinheiro entre 2011 e 2014, num montante total de cerca de US$ 71 milhões. O caso ainda se refere à Operação Lava Jato. (Por Jamil Chade)
O anúncio feito nesta sexta-feira ainda revelou que o banco pagou um montante de US$ 19,7 milhões à Petrobras, parte demandante no processo. O MP suíço explicou que a "maioria dos fundos objeto das transferências executadas no J. Safra Sarasin puderam ser bloqueados pelas autoridades penais e repatriados para o Brasil".
Os suíços ainda condenaram uma ex-funcionária do J. Safra Sarasin a uma pena de prisão de seis meses com suspensão total por atos de lavagem de dinheiro enquanto trabalhava em outra instituição bancária suíça, no valor total de US$ 29,2 milhões.
"A presente condenação está relacionada com o caso de corrupção internacional conhecido como "Lava Jato", envolvendo a petrolífera estatal brasileira Petrobras, parte demandante no presente processo", afirmou o MP, numa nota oficial.
O processo criminal foi aberto em novembro de 2018 sob suspeito de que uma de suas ex-gestoras de patrimônio era cúmplice em um esquema de corrupção de agentes públicos estrangeiros e lavagem de dinheiro agravada. Em julho de 2019, a investigação foi ampliada a outros funcionários do banco.
"Por decisão penal de 22 de agosto de 2025, o J. Safra Sarasin foi considerado culpado de violação do artigo 102, parágrafo 2, do Código Penal, em relação ao crime de lavagem de dinheiro agravada e condenado a uma multa de CHF 3,5 milhões", afirmou.
De acordo com o MP, este montante leva em consideração o tempo decorrido desde a infração, bem como as diferentes medidas corretivas tomadas pelo banco, inclusive no plano organizacional, após o estouro do caso Petrobras.
A gestora de patrimônio foi condenada a uma pena de prisão de seis meses. Mas, se por dois anos ela não cometer um novo crime, não terá de cumprir a pena.
"A investigação permitiu estabelecer que parte da clientela da antiga gestora de patrimônios, adquirida em particular enquanto trabalhava no J. Safra Sarasin, esteve envolvida no caso "Lava Jato", disse o MP da Suíça.
"Nesse contexto, várias relações bancárias foram abertas no J. Safra Sarasin, na Suíça, e utilizadas para receber ou transferir pagamentos corruptos de cerca de dez empresas ativas no setor petrolífero e da construção civil", disse.
"Esses pagamentos eram destinados a altos executivos da empresa estatal Petrobras, também clientes do J. Safra Sarasin, com o objetivo de favorecer os interesses dessas empresas no âmbito da adjudicação, negociação e execução de contratos celebrados com a Petrobras e suas subsidiárias", disse. "Alguns desses clientes seguiram a antiga gestora para seu novo empregador após sua saída do Banco Safra, em 2011", apontou.
A investigação revelou "inúmeras falhas" no J. Safra Sarasin. "A desorganização do banco permitiu a prática do crime de lavagem de dinheiro agravada, na forma de transferências que totalizaram cerca de US$ 42,5 milhões", apontou. "A este montante, devem ser acrescentadas as transferências no valor total de 28,5 milhões de dólares americanos, executadas pelo banco, mas recusadas pelos bancos destinatários", explica.
"Estas irregularidades tiveram como efeito prejudicar a integridade do mercado financeiro suíço. O J. Safra Sarasin foi assim considerado culpado de violação relacionada com o crime de branqueamento de capitais agravado cometido no seu seio", concluiu.
"Em 22 de agosto, a Procuradoria-Geral da Suíça encerrou de forma definitiva, o processo relacionado a eventos ocorridos há mais de dez anos. Esta decisão não constitui admissão de culpa nem aceitação de responsabilidade por parte do Banco ou de quaisquer de seus representantes". (Fonte: Estadão)
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