Após escândalos, Banco Master e Will Bank demitem e trabalhadores aguardam pagamento
Sindicato cobra pendências devidas a cerca de 1.500 pessoas. O Banco Master está no centro de investigação por fraude ao sistema financeiro (Por Gabriel Rodrigues - foto reprodução -
Desde que foi liquidado, em novembro de 2025, o Banco Master não passou uma só semana fora dos destaques do noticiário nacional, com desdobramentos que atingem figuras do alto escalão da economia e da política. Fora dos holofotes, centenas de outras pessoas foram afetadas diretamente, e trabalhadores aguardam o pagamento integral de seus direitos, segundo o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.
Cerca de 1.500 pessoas foram afetadas, a maioria concentrada no próprio Master e na Will Financeira, subsidiária da instituição que comercializava cartões de crédito. Nem todos foram demitidos até agora, mas, quase cinco meses depois da liquidação do Master e três da interrupção das atividades do Will, parte dos ex-funcionários não receberam o valor integral que deveriam.
O sindicato afirma que, nos dois casos, não foi paga a multa pelo atraso do pagamento da rescisão. O advogado trabalhista Fábio Moreira explica que o prazo para pagamento dos direitos rescisórios, como o salário, 13º e férias proporcionais e a multa sobre o FGTS, é de dez dias. “Caso não seja cumprido esse prazo, é devido ao trabalhador multa equivalente ao salário”, detalha.
Ele também explica que qualquer compromisso previsto no acordo dos bancos com o sindicato precisa ser obrigatoriamente obedecido. É o caso dos bancos Letsbank e Pleno. Eles devem, respectivamente, a 13ª cesta-alimentação e o pagamento do Programa de Participação nos Resultados (PPR).
“Essa liquidação impactou profundamente a vida dessas pessoas, e os efeitos morais e emocionais ainda são pouco abordados na cobertura do caso. Ao mesmo tempo, seguem pendências importantes: no Banco Master, cobramos o pagamento da multa rescisória; no Let’s Bank, a décima terceira cesta-alimentação ainda é devida aos demitidos de novembro de 2025; no Banco Pleno, acompanhamos o pagamento do PPR previsto para 30 de abril e a reunião com o Sindicato no início de maio; e, no Will Bank, há pendências relativas à multa por atraso nas rescisões”, diz a presidente do sindicato, Neiva Ribeiro. A reportagem procurou as instituições e aguarda retorno.
A economista do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) Rosângela Vieira acrescenta que, além dos vínculos diretos com os bancos, incontáveis outros empregos indiretos foram afetados pelas liquidações. “Apesar de serem instituições sem agência bancária, elas têm estrutura com portaria, limpeza, algum tipo de serviço. Existem outros trabalhos que fazem parte dessa cadeia e não conseguimos saber o impacto sobre esse tipo de trabalhador”, pondera.
Vieira sublinha o impacto emocional do processo de liquidação em um mercado já tensionado. “A categoria sofre muito de adoecimento mental, especialmente pela pressão para bater metas. São trabalhadores sem nenhuma proximidade [com o que estava ocorrendo na gestão dos bancos]”, arremata. (Fonte: O Tempo Economia)
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