Privatização do BRB entra no radar com resistência do FGC e bancos a empréstimos
Governo do DF enfrenta dificuldades para conseguir empréstimo bilionário para fazer aporte na instituição; banco estatal nega que privatização esteja em pauta (Por Por Cícero Cotrim (Broadcast) e Célia Froufe (Broadcast)) - foto reprodução -
| Resumo O Banco de Brasília (BRB) enfrenta uma crise patrimonial e pode ser privatizado. O governo do Distrito Federal, controlador do banco, tem até 29 de maio para obter um aporte bilionário, mas enfrenta dificuldades em conseguir empréstimos. A privatização é considerada uma saída, mas depende de autorização política. A governadora Celina Leão pressiona por soluções, enquanto o presidente do BRB, Nelson de Souza, mantém otimismo sobre a solidez do banco. A situação é monitorada pelo Banco Central e outras autoridades. |
Procurado, o BRB negou que a privatização do banco esteja em pauta. “O BRB segue sólido e operando normalmente”, disse em nota.
Nesta quinta-feira, 16, o ex-presidente do banco Paulo Henrique Costa foi preso, alvo da 4ª Fase da Operação Compliance Zero, acusado de ter recebido imóveis como forma de propina do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O BRB enfrenta dificuldades em função da compra de carteiras de crédito fraudadas do Master e chegou a tentar a comprar o banco - pedido que foi negado pelo Banco Central.
Com um rombo em seu balanço o BRB precisa receber um aporte do seu controlador, o governo do Distrito Federal, para continuar operando. O governo do DF tem até 29 de maio para obter os recursos e finalizar a operação.
Se não conseguir os valores para aportar diretamente no BRB, restariam duas opções: a entrada de outro acionista que contribua para aumentar o capital do banco (efetivamente, levando à privatização) ou a liquidação pelo Banco Central, ou seja, o fechamento do banco.
O último banco público privatizado no Brasil foi o Banco do Maranhão, em 2004, comprado pelo Bradesco. Em 2002, o Banco do Amazonas também havia sido vendido para o Bradesco.
Prazos
O BRB já perdeu o primeiro prazo dado pelo Banco Central para divulgar o balanço de 2025 e reforçar o seu capital, que era até 31 de março. Agora, uma assembleia para votar o aumento de capital está marcada para a próxima quarta-feira, 22. Uma vez que a emissão de ações seja aprovada, o governo do DF teria até 29 de maio para conseguir os recursos e realizar o aporte.
No entanto, as negociações do DF com instituições privadas e com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para obter até R$ 6,6 bilhões continuam avançando lentamente. Procurado, o FGC afirmou que não comenta sobre instituições associadas.
O FGC só concordaria com o empréstimo se fizesse parte de um consórcio de bancos que concederia os recursos. Mas o mercado considera que as garantias oferecidas pelo governo do DF - uma série de imóveis públicos - são pouco atrativas. Até agora, o DF não conseguiu sequer montar o consórcio.
‘Portas fechadas’
A própria governadora do DF, Celina Leão (PP), tem dito a aliados que o FGC está “de portas fechadas” e tem pressionado, junto ao mercado e ao próprio Banco Central, pela privatização do BRB, com bancos privados interessados em assumir o controle da instituição.
Nesta quarta-feira, ela afirmou, em um evento do Lide, em Brasília, que o governo federal também “não tem boa vontade” de ajudar o banco.
Sem os recursos do mercado e sem um socorro da União, a única opção do governo distrital para evitar uma liquidação do BRB seria privatizar o banco, segundo uma pessoa que acompanha de perto o processo.
Nesse caso, um novo acionista poderia entrar com recursos para reforçar o capital da instituição. No entanto, o mercado só teria interesse em aportar esses valores se puder diluir a fatia do DF no banco para menos de 50% e, consequentemente, mudar o controle da instituição.
Celina tem dito a interlocutores que vai lutar para evitar a privatização, mas que essa opção seria preferível à liquidação. No entanto, mesmo essa solução não seria simples.
A venda do controle do BRB - um dos únicos bancos públicos regionais que sobreviveu à crise dos anos 1990 - dependeria de autorização da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), o que pode ser politicamente custoso às vésperas das eleições.
Na última quarta-feira, 8, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, repetiu que vai ser necessário um aporte de recursos para resolver a situação do BRB, que passa por uma crise patrimonial.
“Melhorar o patrimônio depende, efetivamente, de um aporte por parte dos acionistas. É isso que a gente aguarda e vem fazendo todo tipo de comunicação ao BRB aguardando esse equacionamento da questão do acionista para fazer o devido aporte”, ele disse, em audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do crime organizado.
O governo do DF chegou a anunciar que o BRB venderia R$ 15 bilhões em ativos que eram do Master para um comprador. Mas, como mostrou o Estadão/Broadcast, essa negociação serve apenas para turbinar a liquidez do banco, sem resolver a crise patrimonial.
No BRB, o tom de otimismo em relação à obtenção do empréstimo é mantido como um mantra. O presidente da instituição, Nelson de Souza, disse que a instituição não irá quebrar. “Para quem acreditou que o BRB iria quebrar, afirmo que ele não vai. Está cada vez mais sólido e será a empresa ícone do povo de Brasília e região”, afirmou durante evento na capital.
Segundo pessoas que acompanham o processo, a assembleia marcada para a semana que vem não precisa necessariamente aprovar um financiamento nessa reunião, podendo apenas se debruçar sobre as diretrizes que o comando do BRB deverá seguir e apresentar na sequência. (Fonte: Estadão)
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