Golpes com Pix e promessas de dinheiro lideram fraudes online
Levantamento analisou 115 conteúdos falsos que viralizaram entre 2024 e 2026 e mostra que criminosos exploram benefícios financeiros (Por Lívia Coimbra) - foto reprodução -
Pesquisa divulgada na quarta-feira (17) pelo Observatório Lupa mostra que, promessas de benefícios financeiros e uso indevido da imagem de empresas conhecidas continuam entre os principais métodos utilizados por criminosos na internet.
O estudo avaliou 115 conteúdos fraudulentos que viralizaram no Brasil entre maio de 2024 e abril de 2026. Os dados mostram que cerca de um terço dos golpes exigia pagamento via Pix, enquanto 71% prometiam algum tipo de vantagem financeira para atrair vítimas.
Além disso, 74% dos conteúdos utilizavam indevidamente nomes de empresas, instituições ou personalidades conhecidas para transmitir credibilidade às falsas ofertas.
Segundo o levantamento, os golpistas costumam repetir estratégias conhecidas, adaptando apenas o tema ou a identidade visual para aumentar o alcance.
Golpistas apostam cada vez mais no Pix
O Pix aparece como um dos principais meios utilizados pelos criminosos para receber dinheiro das vítimas. De acordo com a pesquisa, cerca de um terço dos golpes analisados terminava com pedidos de transferência instantânea.
Na maioria dos casos, os valores eram apresentados como taxas para liberar brindes, promoções, indenizações ou benefícios que nunca existiram. Antes de chegar a essa etapa, a vítima normalmente é direcionada para formulários, pesquisas ou questionários criados para gerar confiança e assim coletavam dados pessoais.
Entre os golpes encontrados pelos pesquisadores estão falsas campanhas envolvendo marcas conhecidas, mensagens sobre indenizações da Receita Federal e promoções que prometiam pagamentos via Pix. Para os autores do estudo, a rapidez das operações e a dificuldade de reverter as transferências ajudam a explicar a preferência dos criminosos pelo sistema.
Como os golpes funcionam?
A pesquisa também identificou um padrão recorrente nas fraudes. Na maioria das vezes, os golpes começam em redes sociais, aplicativos de mensagens ou anúncios patrocinados. Depois, o usuário é direcionado para páginas que imitam sites oficiais, onde é incentivado a informar dados pessoais ou realizar algum pagamento.
O formato mais comum identificado entre 2025 e 2026 foi a combinação de página falsa, texto chamativo e link suspeito, presente em quase metade dos casos analisados. Segundo a Lupa, essa estrutura faz parte da chamada "jornada do golpe", em que a vítima é atraída por uma promessa, conduzida para ambientes fraudulentos e, por fim, induzida a fornecer informações ou transferir dinheiro.
Whatsapp lidera circulação de golpes
O Whatsapp foi o principal meio utilizado para contribuir nas fraudes analisadas no levantamento. Nos últimos 12 meses avaliados, quase 65% dos golpes passaram pelo aplicativo.
Em muitos casos, a fraude começa em redes sociais abertas, como Facebook, Instagram e TikTok, e depois migra para o Whatsapp, onde ocorre o compartilhamento de links, envio de dados pessoais e, enfim, realização de pagamentos.
Segundo os pesquisadores, as plataformas da Meta continuam concentrando boa parte dos conteúdos fraudulentos identificados. O grande alcance dessas redes, aliado à facilidade de compartilhamento e à confiança dos usuários, torna esses ambientes especialmente atrativos para os golpistas.
O uso indevido de empresas, instituições e digitais influencers continua sendo uma das estratégias mais utilizadas pelos criminosos. O levantamento aponta que 74% dos golpes analisados mencionam alguma marca, organização ou personalidade conhecida.
Entre as empresas mais exploradas aparecem Mercado Livre, Nubank, Shopee, Serasa e Amazon. Já entre as personalidades utilizadas estão jornalistas, artistas, influenciadores, médicos e políticos.
Órgãos públicos também são frequentemente usados para dar aparência de legitimidade aos golpes. Receita Federal, Caixa Econômica Federal, Banco Central, Gov.br e Ministério da Educação estão entre as instituições mais citadas nos conteúdos fraudulentos.
O uso da Inteligência Artificial ganha força
A inteligência artificial segue presente no universo das fraudes digitais. Entre maio de 2025 e abril de 2026, cerca de 21% dos conteúdos analisados utilizavam algum recurso de IA.
A maior parte dos casos envolvia vídeos manipulados por deepfake, tecnologia capaz de reproduzir rostos, vozes e expressões com aparência realista. Entre as imagens utilizadas pelos criminosos estavam as de jornalistas, influenciadores e personalidades conhecidas.
Segundo o estudo, a inteligência artificial não substituiu as estratégias tradicionais dos golpistas, mas passou a ser utilizada para aumentar a credibilidade dos conteúdos e tornar as fraudes mais convincentes.
O combate aos golpes online exige ações conjuntas entre plataformas digitais, instituições financeiras, órgãos públicos, empresas e usuários. O levantamento aponta que, apesar de cada vez mais sofisticadas, as fraudes seguem padrões parecidos, o que pode ajudar na criação de mecanismos de prevenção e conscientização. (Fonte: iG)
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