Pix é melhor do que todo o sistema de pagamentos dos Estados Unidos


Criado pelo Banco Central, mecanismo virou alvo de nova investida tarifária porque incomoda as big techs americanas (Por Henrique Meirelles)

No documento em que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos sugere a adoção de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, publicado na semana passada, chama a atenção a insistência com o Pix. São 20 menções em 34 páginas de texto — outras 73 são tabelas — e qualificações como “injusto” e discriminatório”. A meu ver, essa fixação se deve a um fato simples: o Pix é melhor e mais eficiente que todo o sistema de pagamentos dos Estados Unidos.

O Pix, uma criação do Banco Central, tornou-se alvo da nova investida tarifária porque é eficiente, gratuito para pessoas físicas e barato para empresas. Isso incomoda as big techs americanas, donas de sistemas de pagamentos que cobram taxas. Nada mais brutal que o fato, como diria Nelson Rodrigues, um patrimônio tão brasileiro quanto o Pix.

Trabalhei por mais de 20 anos em uma instituição financeira global, o BankBoston, sediada nos Estados Unidos. Conheci bem o sistema bancário americano. O sistema bancário brasileiro é reconhecido no mundo como um dos mais avançados em tecnologia, superior inclusive ao americano. Muitos americanos ainda pagam suas contas por meio do envio de cheques pelo correio. Existem outras modalidades mais modernas, mas nada se compara à facilidade que os brasileiros têm à disposição em seus telefones celulares.

Lançado em 2020, o Pix responde hoje por mais da metade das transações bancárias. Segundo dados do Banco Central, mais de 170 milhões de brasileiros usam Pix, o equivalente a mais de 80% da população. Sua expansão foi rápida por diversos motivos, mas quero ressaltar um: a capacidade de proporcionar confiança.

Diversos estudos feitos por economistas e cientistas sociais mostram que um dos problemas do Brasil é a falta de confiança interpessoal — que, entre outras coisas, encarece transações. (Fonte: Estadão)

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