PF investiga BRB e Fictor por possíveis crimes financeiros


Abertura do inquérito foi informada ao ministro Dias Toffoli, do STF. Empresas fizeram propostas de compra do Banco Master (Por Raquel Lopes) - foto reprodução - 

A Polícia Federal abriu investigações para apurar possíveis crimes do BRB (Banco Regional de Brasília) e da holding financeira Fictor, ambos envolvidos com o Banco Master.

Sobre o banco estatal, a PF investiga eventual gestão fraudulenta, após o BRB ter feito uma proposta de compra do Master, que acabou indeferida pelo BC (Banco Central) em setembro do ano passado. A abertura do inquérito foi informada ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli.

Já a Fictor, que também chegou a anunciar uma proposta para comprar o Master, está na mira da Delecor (Delegacia de Repressão a Corrupção e crimes financeiros) de São Paulo por suspeita de crime financeiro.

As informações foram reveladas pela colunista Míriam Leitão, do jornal O Globo, e confirmadas pela Folha.

A investigação sobre o BRB aponta que o próprio banco teria analisado que algumas operações podem ter sido feitas para burlar a cláusula de transparência da titularidade das ações na gestão anterior.

A instituição disse, em nota, que encontrou achados relevantes que constam da primeira etapa do relatório preliminar entregue pela auditoria forense contratada pelo banco junto à Machado & Meyer com suporte técnico da Kroll.

"Prezando pela transparência e dever de colaboração com as autoridades competentes, a fim de confirmar eventuais atos ilícitos, o Banco BRB informa que entregou o relatório à PF, na última quinta-feira [29]. O mesmo relatório também foi entregue na data de ontem [2], ao Banco Central", disse, em nota.

O banco afirmou, ainda, que com o intuito de resguardar seus interesses, recuperar seus créditos e ativos e ver ressarcidos os prejuízos causados pelos agentes relacionados à Operação Compliance Zero, vem adotando inúmeras medidas institucionais, administrativas, extrajudiciais e judiciais relacionadas a fundos de investimentos, garantias e carteiras de crédito, adquiridas pelo BRB.

"Medidas estas que correm, parte em sigilo, e que serão reforçadas por novas medidas, com a maior brevidade possível, para garantir a efetividade da preservação dos interesses do Banco", disse.

Deflagrada pela primeira vez em 18 de novembro de 2025, a Compliance Zero apura um esquema bilionário de fraudes financeiras que teria usado estruturas do mercado de capitais para desviar recursos e mascarar prejuízos.

As investigações tiveram início em 2024, após requisição do MPF (Ministério Público Federal). No centro da investigação está o Banco Master, de Daniel Vorcaro, além de gestores e empresários ligados a operações com carteiras de crédito e fundos de investimento.

Como mostrou a Folha, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, disse em seu depoimento à PF realizado no fim de dezembro que a reserva de recursos a ser feita pelo BRB para cobrir as perdas com o Banco Master "será de elevada monta" e pode se aproximar de R$ 5 bilhões.

O Banco Central determinou ao BRB em janeiro que faça um provisionamento (reserva financeira) de R$ 2,6 bilhões em seu balanço para cobrir perdas com a compra de carteiras de crédito fraudulentas do Master.

Essas carteiras, sem lastro em operações reais, foram descobertas nas investigações que levaram à liquidação do Master e à prisão do dono do banco, Daniel Vorcaro, no dia 17 de novembro do ano passado, na primeira fase da Compliance Zero.

Já a Fictor protocolou neste domingo (1º) um pedido de recuperação judicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo), com uma dívida de R$ 4,2 bilhões.

No pedido, a empresa pediu para suspender execuções e bloqueios por um período inicial de 180 dias. A Fictor diz que isso reduziria o risco de "corridas individuais que pressionem ainda mais a liquidez e prejudiquem uma solução coletiva e equânime".

A Fictor afirma que esses resgates foram causados pelo fato de o grupo sido inserido num cenário de instabilidade e perda de confiança após a tentativa de adquirir o Banco Master, liquidado pelo Banco Central.

O requerimento contrasta com a tentativa da Fictor de comprar o Master, quando o grupo anunciou que faria um aporte inicial de R$ 3 bilhões na instituição financeira de Daniel Vorcaro, que precisava de recursos. (Fonte: Folha de SP)

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