Bradesco Avança em Plano de Reestruturação e Ação Sobe Mais de 60% em 2025


Foco na digitalização tecnológica, otimização das agências físicas, segmento de alta renda e na eficiência de custos se reflete nos resultados do banco (Por Marília Almeida) - foto Paulinho Costa feebpr - 

2025 marcou a continuidade do plano de reestruturação do Bradesco. Embora ainda esteja em andamento até 2028, sua ênfase na digitalização tecnológica, na otimização das agências físicas, no segmento de alta renda e na eficiência de custos já reflete nos resultados do banco. No terceiro trimestre deste ano, o lucro líquido recorrente do Bradesco alcançou R$ 6,2 bilhões, um crescimento de 19% em relação ao mesmo período do ano anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) atingiu 14,7%, alta de 2,3 pontos percentuais na mesma base de comparação.

Foram esses resultados que, segundo analistas, levaram a ação do Bradesco a ser uma das que mais valorizaram em 2025 no setor bancário. Até o fechamento do dia 26 de dezembro, a ação subia mais de 60% no acumulado do ano, enquanto as ações dos concorrentes Itaú, Santander e Nubank avançavam cerca de 40%. O banco só perde em valorização para o papel do BTG, que subia mais de 90%. No período, o principal índice da bolsa, o Ibovespa, valorizou mais de 30%.

Os últimos balanços do banco mostram uma recuperação operacional gradual, com aumento de rentabilidade, melhora na qualidade da carteira de crédito e crescimento de receitas acima das despesas, resume Hugo Cabral, analista da Nord Investimentos. Já o último resultado reforçou o amadurecimento da reestruturação do banco. “No início o banco precisava ser agressivo até que arranjou espaço para reforçar provisões. É como se tivesse visto que já passou a arrebentação e dá para pensar em construir o resultado dos próximos anos de forma mais gradual”, analisa Matheus Guimarães, analista da XP.

O plano de reestruturação “passo a passo”, implementado pelo CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, foi definido no final de 2023, quando o banco vinha enfrentando um desempenho financeiro fraco, marcado por quedas no lucro, redução da rentabilidade, além de atraso tecnológico e desafios na experiência do cliente. Ao oferecer mais incentivos individuais e contratar executivos fora do banco, seu foco foi a reversão da trajetória de deterioração dos indicadores financeiros e a retomada do foco no cliente.

Selic alta

O Bradesco, por possuir uma grande exposição ao varejo de média e baixa renda, acabou sofrendo mais com o aumento da inadimplência e a desaceleração do crédito nos últimos anos. Por conta disso, o banco nem sempre consegue repassar de forma eficiente o custo de uma Selic alta ao cliente, o que reduz seus spreads (diferença entre os juros que paga para captar recursos e os juros que cobra ao emprestar).

Para enfrentar esse desafio, a instituição financeira tem adotado uma postura mais seletiva na concessão de crédito para pessoas físicas e passou a focar no segmento de alta renda como um de seus principais vetores de crescimento, diz Cabral, da Nord Investimentos. No terceiro trimestre o avanço de 10% ao ano da carteira de crédito foi impulsionado pelo segmento de pessoas jurídicas, com foco em linhas com incentivos fiscais, como o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). “O banco vem conseguindo conciliar linhas mais rentáveis sem pressionar o crédito”, aponta Guimarães, da XP.

Como resultado, sua inadimplência, de 4,1%, teve uma leve redução em relação ao mesmo período do ano anterior, quando era de 4,2%. É um índice melhor que o do Banco do Brasil (4,9%), mas pior que o do Itaú (1,9%) e do Santander (3,4%).

Ainda atrás

Embora o plano de reestruturação do Bradesco venha apresentando avanços, o Itaú encontra-se muito à frente quando o assunto é a entrega de resultados. Atualmente, o banco apresenta o menor nível de inadimplência, além de registrar, por vários trimestres consecutivos, um crescimento consistente do lucro líquido.
 
O Itaú tem a ambição de reduzir seu índice de eficiência (custo sobre receita) dos atuais 39% para cerca de 30%. Esse movimento poderia impulsionar ainda mais seu principal indicador de rentabilidade, o ROE, para um patamar entre 25% e 30%, o maior entre seus pares, diz Cabral, da Nord. Bancos digitais, como o Nubank, também têm um índice de eficiência semelhante, pois já nascem com estrutura mais leve. Já o índice de eficiência do Bradesco era de 50,7% no final do terceiro trimestre.

O indicador mostra quanto a empresa gasta para gerar cada R$ 1 de receita. Portanto, se for menor, indica menos custos para gerar receita, e maior eficiência operacional, e vice-versa. Enquanto o Bradesco gasta R$ 0,50 para gerar R$ 1, o Itaú gasta R$ 0,30.

No campo de investimentos em tecnologia, o Itaú saiu na frente e já colhe os frutos dos elevados aportes realizados nos últimos anos. Mas desde que Noronha assumiu a gestão do banco, o time de tecnologia do Bradesco vem conseguindo entregar uma produção três vezes maior por hora, com base em todos 0s investimentos na área, analisa Guimarães.

Perspectivas
Para o quarto trimestre de 2025, o mercado projeta que o Bradesco registre um lucro líquido de R$ 6,4 bilhões, o que representaria um crescimento de 19%. Com isso, alcançaria R$ 24,6 bilhões no consolidado de 2025 , uma alta de 25%. Já o ROE acumulado no ano é estimado em 14,8%, um avanço de 3,1 ponto percentual.

Portanto, a expectativa é de continuidade na recuperação da rentabilidade da ação do banco em 2026, diz Cabral, da Nord. Apesar da recente valorização, as ações do Bradesco ainda são negociadas a 9 vezes o seu lucro, bem abaixo da média histórica da bolsa, de 15 vezes o lucro, o que indica que ainda há espaço para alta, conclui o analista. Os analistas do BTG ressaltam que o banco tem feito os ajustes corretos para elevar o ROE nos próximos trimestres.

No cenário macroeconômico, o impacto positivo da redução dos juros sobre as margens do Bradesco, combinado com carteira de crédito com forte concentração em crédito ao consumidor, também tende a favorecer o desempenho das ações do banco no ano que vem, segundo analistas do banco UBS, em relatório.

Contudo, Cabral, da Nord, considera importante continuar monitorando os segmentos de menor renda, que continuam mostrando fragilidade nos resultados do banco. Já os analistas do BTG permanecem um pouco cautelosos quanto às suas perspectivas de médio e longo prazo. “O banco vem se afastando do segmento de menor renda, no qual historicamente se destacava. Em pequenas e médias empresas, o foco tem sido em crédito com garantia governamental, onde vemos dificuldade em gerar retornos excedentes de forma sustentável”.

No geral, os analistas do BTG continuam vendo o Itaú se distanciando ainda mais dos pares entre os grandes bancos brasileiros. Ainda assim, enxergam potencial de valorização para as ações do Bradesco nos próximos seis a 12 meses. “O banco segue como nossa segunda principal escolha”.

Por fim, Guimarães, da XP, pondera  que o próprio banco vem dando sinais de que está buscando controlar expectativas. “Com eleições, 2026 será um ano de muito sobe e desce, e a expectativa é de que a Selic caia só em março. Haverá melhora, mas em ritmo um pouco aquém do visto em 2025”. (Fonte: Forbes)

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