Diferença salarial entre homens e mulheres persiste, mas contratação feminina aumenta 11%


Mulheres ganham 21,3% menos do que os homens no país, segundo relatorio da Lei da Igualdade Salarial. Desigualdade se mantém estável desde 2023, mas outros indicadores mostraram melhora; entenda (Por Cristiane Gercina) - foto Paulinho Costa feebpr -

A diferença salarial entre homens e mulheres no Brasil é de 21,3% nas 53,5 mil empresas com mais de cem funcionários, segundo o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).

Apesar de a desigualdade se manter estável —de cerca de 20%—, a contratação feminina cresceu 11% desde 2023, quando os dados começaram a ser medidos após a publicação da Lei da Igualdade Salarial, em julho daquele ano.

A remuneração média das mulheres é de R$ 3.965,94, enquanto dos homens chega a R$ 5.039,68.

Segundo o relatório, em 2023, as mulheres recebiam, em média, 20,7% menos do que os homens. Esse cenário teve uma leve piora, chegando a 21,3% em abril deste ano, mas estável ante novembro de 2025, quando a diferença estava em 21,2% Hoje, as mulheres recebem, em média, 78,7% do salário dos homens.

Um dos destaques do estudo é o aumento expressivo da presença feminina no emprego formal. O número de mulheres ocupadas passou de 7,2 milhões para 8 milhões, uma alta de 800 mil trabalhadoras com emprego formal entre 2023 e 2026.

Entre mulheres negras —pretas e pardas—, o crescimento foi ainda maior, de 29%, saltando de 3,2 milhões para 4,2 milhões de vínculos entre 2023 e 2026, com mais 1 milhão de novas trabalhadoras.

Também cresceu o número de estabelecimentos com pelo menos 10% de mulheres negras, que chegou a 21.759 unidades, alta de 3,6% em relação ao relatório anterior.

Para Paula Montagner, subsecretária de estatísticas e estudos do Trabalho do MTE, a variação negativa de apenas 0,6 pontos percentuais é muito pequena frente ao contingente analisado, já que o número de mulheres contratadas subiu, o rendimento subiu e o número de empresas com cem ou mais funcionários também aumentou.

"O rendimento se moveu de forma positiva, assim como o total de mulheres contratadas para cargos de gerência e direção", diz.

Segundo ela, a massa de rendimentos das mulheres subiu de 33,7% para 35,2%, mas, mesmo assim, para alcançar a participação equivalente à presença masculina no emprego, hoje em 41,4%, seria necessário uma alta de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos totais.

"O rendimento dos homens continuou a aumentar, pelo maior tempo de empresa, o que faz essa corrida quase impossível, porque se este for o critério usado nas promoções, os que estão há mais tempo na empresa vão receber mais, mesmo que o desempenho seja similar", diz.

"O que se espera é que esse efeito diminua se a economia e os salários continuarem a crescer", afirma ela.

A distância salarial se ampliou em faixas específicas de tamanho de empresa. Nas empresas de 251 a 500 empregados, a remuneração caiu de 82,2% para 80,9%. Nas empresas de 1.001 a 2.000 empregados, a queda foi de 76,5% para 75,2%.

Paula acredita que a promoção de mudanças nas empresas também esbarre em custos para empregadores. "Aumentar a massa de 10,6%, teria impacto no consumo das famílias e diminuiria a diferença de rendimentos entre homens e mulheres, mas isso representa custo para as empresas, o que as torna mais resistentes a promover estas mudanças."

O relatório também aponta avanços em políticas internas das empresas. Houve aumento na jornada flexível de 40,6% para 53,9% das empresas oferecendo essa opção, e auxílio-creche sendo oferecido em 38,4% das companhias ante 22,9% do início da série.

Outro ponto celebrados é o aumento do total de empresas com licenças maternidade e paternidade estendida, que saltou de 20% das companhias para 29,9%, além da oferta de planos de cargos e salários, que subiu de 55,5% para 66,8%.

A proporção das empresas que afirmam promover mulheres subiu de 63,8% para 75,7%.

O relatório analisou 19,3 milhões de vínculos de emprego formais, conforme dados disponíveis na Rais (Relação Anual de Informações Sociais) e informados pelas companhia.

Sancionada em 3 de julho de 2023, a Lei da Igualdade Salarial determina que empresas com cem ou mais empregados adotem medidas para assegurar a igualdade salarial entre homens e mulheres e tornem públicos dados de remuneração, além de entregar relatório semestral ao MTE.

No Brasil, no entanto, a igualdade salarial é garantida pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) desde 1943. A nova lei trouxe apenas a obrigação de informar as movimentações, com o envio de relatórios —sob pena de multa a quem não cumpre a regra— e a publicidade dos dados. (Fonte: Folha SP)

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