Adeus, agências do Bradesco: banco encerra ciclo e fecha centenas de unidades
O fechamento em massa de unidades do Bradesco voltou a gerar forte reação entre funcionários e clientes em todo o país. Entre junho de 2024 e junho de 2025, o banco encerrou 342 agências, 1.002 postos de atendimento e 127 unidades de negócio, segundo dados do Dieese. (Por Eduardo Sant’Anna) - foto Paulinho Cota feebpr -
O volume representa quase 38% de todas as agências bancárias fechadas no Brasil no período, atingindo principalmente cidades que ainda dependem do atendimento presencial.
Protestos se espalharam pelo país
No fim de 2025, em Campo Grande (MS), o Sindicato dos Bancários realizou manifestação em frente à agência localizada entre as avenidas Afonso Pena e Calógeras. A presidenta da entidade, Neide Rodrigues, criticou o impacto social das decisões do banco.
“Essas medidas geram um prejuízo muito grande para a sociedade. Muitos municípios estão com agências fechadas. Enquanto o Bradesco celebra lucros recordes, a realidade para os trabalhadores e clientes é de preocupação”, afirmou.
No Rio de Janeiro, atos na Avenida Rio Branco e na Rua Primeiro de Março atrasaram a abertura de três agências. O diretor do sindicato local, Leuver Ludolff, destacou o impacto das demissões no setor.
Apenas entre janeiro e junho de 2025, 2.500 bancários foram desligados em todo o país, sendo 293 somente no estado do Rio entre janeiro e outubro.
“Os idosos são os mais prejudicados, pois têm dificuldade de acessar as plataformas digitais”, ressaltou.
Digitalização acelera fechamento de unidades
O Bradesco, assim como outros bancos, tem justificado o enxugamento da rede física pelo avanço dos canais digitais. Dados da Febraban indicam que 7 em cada 10 transações bancárias foram feitas pelo celular em 2023, enquanto o Pix liderou as operações financeiras em 2024, com 63,8 bilhões de transações realizadas.
Apesar disso, entidades sindicais alertam que a migração acelerada para o ambiente digital deixa parte da população sem atendimento adequado.
Na Bahia, mais de 130 agências fecharam nos últimos cinco anos, obrigando moradores a percorrer até 50 quilômetros para realizar serviços bancários básicos. Um levantamento sindical aponta ainda que o Bradesco demitiu 2.466 funcionários entre janeiro e julho, uma média de 11,7 desligamentos por dia.
“Uma parcela significativa da população não consegue operar aplicativos bancários, seja por analfabetismo, idioma ou falta de acesso à internet”, afirma Ronaldo Ornelas, dirigente do Sindicato dos Bancários da Bahia.
Justiça começa a barrar cortes
Em alguns estados, a velocidade dos fechamentos levou à intervenção do Judiciário. No Maranhão, o Tribunal de Justiça (TJ-MA) suspendeu, em abril, o encerramento de 16 agências do Bradesco, após pedido do Procon estadual.
Na Bahia, sindicatos tentam decisões semelhantes. O impacto é considerado crítico, já que quase metade dos municípios baianos (47,72%) não conta com nenhuma agência bancária ativa, segundo dados recentes.
Preocupação com atendimento a públicos vulneráveis
A combinação entre fechamento de unidades e demissões tem levantado questionamentos sobre a capacidade do banco de atender grupos mais vulneráveis, como idosos, moradores de áreas rurais e pessoas sem acesso constante à internet.
Entidades sindicais afirmam que novas mobilizações devem ocorrer nos próximos dias. O objetivo é pressionar o Bradesco e outros grandes bancos a adotarem uma transição mais equilibrada para o modelo digital, sem abandonar completamente o atendimento presencial.
Enquanto isso, clientes seguem enfrentando filas maiores nas poucas agências restantes e maiores dificuldades para resolver demandas básicas fora do ambiente online. (Fonte: TNH 1)
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