Lula sanciona hoje lei que isenta IR para quem ganha até R$ 5 mil
(Por Carolina Nogueira e Wanderley Preite Sobrinho)Ler resumo da notícia
- Lula sancionou a lei que isenta de IR quem ganha até R$ 5 mil e oferece descontos até R$ 7.350. A medida beneficia 16 milhões e entra em vigor em janeiro.
- A proposta recebeu apoio unânime no Congresso e é uma prioridade do governo para melhorar a popularidade de Lula visando a reeleição em 2026.
- A compensação pela perda de arrecadação virá com tributação sobre os mais ricos, cobrando imposto mínimo sobre rendas acima de R$ 600 mil anuais e dividendos ao exterior.
O presidente Lula (PT) sanciona na manhã de hoje a lei que isenta do recolhimento de Imposto de Renda quem ganha até R$ 5.000 mensais e concede descontos a rendas de até R$ 7.350. A mudança entra em vigor a partir de 1º de janeiro.
O que aconteceu
A lei foi aprovada no começo do mês em votação simbólica no Senado. Na Câmara, o texto passou em outubro por 493 a 0.
A lei deve beneficiar cerca de 16 milhões de brasileiros. Além da isenção aos rendimentos de até R$ 5.000, háverá uma redução das alíquotas para quem recebe até R$ 7.350.
Isenção do IR é a principal pauta eleitoral do governo. O projeto é dos mais relevantes da gestão petista e deverá ser utilizado para melhorar a popularidade e ajudar na possível reeleição de Lula em 2026. A proposta também tem apelo nas bases eleitorais dos parlamentares e, por isso, contou com o apoio de todos os partidos na Câmara e no Senado.
Rivais políticos foram os relatores
A tramitação do projeto no Senado foi marcada por troca de acusações entre os relatores. O senador Renan Calheiros (MDB-AL) não queria aprovar o texto de rival político, deputado, Arthur Lira (PP-AL), sem dar contribuições.
Renan avaliou os cenários, pediu estudos e conversou com o Ministério da Fazenda. O senador realizou audiências públicas para discutir o tema e cogitou alterações no texto, mas as mudanças fariam o projeto retornar à Câmara, necessitando de mais tempo e negociações para passar a valer. Além do risco dos deputados derrubarem todas sugestões.
O senador acusou Lira de deixar "diversos jabutis maliciosamente inseridos". Já o deputado alagoano afirmou que a aprovação no Congresso "sepulta definitivamente as narrativas construídas sobre premissas falsas e confirma o que sempre esteve evidente: o relatório do deputado Arthur Lira é tecnicamente consistente, fiscalmente neutro e socialmente responsável".
Entenda a lei
A redução da alíquota será gradual. Pessoas com renda ligeiramente superior a R$ 5.000 por mês pagarão proporcionalmente menos do que indivíduos que ganham até R$ 7.350. Para quem ganhar acima desse valor, a cobrança do IR não terá mudanças.
Uma professora, por exemplo, pagará menos imposto. A isenção fará com que uma docente que recebe o piso de R$ 4.867,77 da categoria deixe de pagar integralmente os R$ 312,89 que eram descontados na fonte mensalmente, segundo projeções do governo.
Exemplos de como fica o IR:
- Quem ganha R$ 5.500 terá seu imposto mensal reduzido de R$ 436,79 para R$ 190,47
- Quem ganha R$ 6.250 por mês terá redução de R$ 643,04 para R$ 496,48
- Quem ganha R$ 7.200 passará de R$ 904,29 para R$ 884,31
- Quem ganha acima de R$ 7.350 continua como está, com alíquotas de 27,5%
Contrapartida
A perda de arrecadação com a isenção será de R$ 31,2 bilhões por ano. Pela legislação, é obrigatória a indicação de uma fonte para compensar a queda de receita. Lira manteve a sugestão do governo de fazer isso cobrando de quem ganha mais.
A compensação do dinheiro que deixará de ser arrecadado será com uma tributação sobre os mais ricos. Será cobrado um imposto mínimo de contribuintes com renda superior a R$ 600 mil por ano (o equivalente a R$ 50 mil por mês), além de uma taxação sobre remessas de dividendos ao exterior.
Dividendos enviados ao exterior ficam sujeitos a uma tributação de 10% na fonte, independentemente do valor. Hoje, esses dividendos não são tributados. Muitos profissionais liberais que trabalham em regime "pejotizado" (como pessoa jurídica, em vez de carteira assinada) conseguem evitar total ou parcialmente o pagamento de imposto ao retirar sua renda dos dividendos das suas empresas, que são isentos do pagamento de IR. A adoção do imposto mínimo busca reduzir essa distorção.
As alíquotas sobre a população mais rica não passarão de 10%. A cobrança será gradual para rendimentos que ultrapassarem R$ 600 mil por ano (R$ 50 mil por mês), começando por uma faixa de 2,5%. O percentual mais elevado incidirá sobre pessoas com rendimento anual acima de R$ 1,2 milhão (R$ 100 mil por mês).
A cobrança mínima para renda superior a R$ 50 mil por mês deve atingir somente 0,13% dos contribuintes. O grupo é formado por cerca de 140 mil pessoas que atualmente recolhem em média 2,54% de IR, segundo o Ministério da Fazenda.
A cobrança vai considerar o que já foi recolhido pelas faixas de renda mais altas. Caso um contribuinte com rendimento anual de R$ 1,2 milhão recolha 8% de Imposto de Renda, ele terá que pagar apenas mais 2% para atingir os 10%. Se um contribuinte com R$ 2 milhões já pagou 12% de IR, não pagará nada a mais.
Lucros e dividendos entrarão no cálculo. A tributação da pessoa física será contabilizada por salários, aluguéis, dividendos e outros rendimentos. Não entram na compensação eventuais lucros com a venda de bens, herança, poupança, aposentadoria por doença grave e indenizações.
As regras levam em conta o imposto pago por pessoas jurídicas. A soma da tributação como pessoa jurídica e como pessoa física não poderá superar 34% do valor dos dividendos pagos por empresas não financeiras, ou 45% no caso de empresas financeiras.
Os sócios de empresas, por exemplo, devem pagar mais. O dono de uma companhia que recebe R$ 985 mil por ano e tem uma alíquota efetiva de 2,7% passará a pagar mais 3,72%, porque sua alíquota mínima será de 6,42%, segundo a tabela apresentada pelo ministério.
Exemplos de como fica o IR:
- Renda anual de até R$ 600 mil - Sem cobrança adicional de imposto
- Renda anual de R$ 750 mil - Alíquota de 2,5%, equivalente a R$ 18.750
- Renda anual de R$ 900 mil - Alíquota de 5%, equivalente a R$ 45 mil
- Renda anual de R$ 1,05 milhão - Alíquota de 7,5%, equivalente a R$ 78.750
- Renda anual de R$ 1,2 milhão - Alíquota de 10%, equivalente a R$ 120 mil
A mudança foi promessa eleitoral de Lula e deve entrar na campanha presidencial do ano que vem. A aprovação da isenção era prioridade da gestão petista e deverá ser uma das principais bandeiras para Lula tentar a reeleição em 2026. Como também tem apelo junto às bases eleitorais de deputados e senadores, a mudança contou com o voto favorável de todos os partidos. (Fonte: UOL)
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