Até hoje, nada de ilegal foi encontrado dentro do BNDES", reconhece Montezano
Foto: Leo Pinheiro/Valor O presidente do banco disse que quer “virar a página” e deixar no passado a tal caixa-preta (Por Murillo Camarotto e Lu Aiko Otta)
Ao tentar justificar a contratação de uma auditoria para identificar irregularidades em operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o presidente do banco de fomento, Gustavo Montezano (foto), disse nesta quarta-feira que o conjunto de leis construídas no país nos últimos anos ajudou a legalizar a prática de corrupção.
“Construímos um aparato jurídico que tornou legal um grande esquema de corrupção”, afirmou o executivo, ao ser questionado sobre o fato de a famosa “caixa-preta” do BNDES não ter apresentado qualquer irregularidade.
Questionado, no entanto, sobre quais leis teriam contribuído para legalizar a corrupção, Montezano disse não ter conhecimento técnico suficiente para comentar “no detalhe o tema legislativo”.
Em seguida, ele mencionou de forma genérica leis aprovadas no Congresso, como as que validaram a política de campeões nacionais, pela qual algumas empresas receberiam farto investimento do BNDES.
“O fato é que, até hoje, nada de ilegal foi encontrado dentro do BNDES”, reconheceu Montezano. “Entendemos que hoje não tem mais nada a ser esclarecido à população sobre a atuação do BNDES no passado”, completou.
Montezano disse que quer “virar a página” e deixar no passado a tal caixa-preta, tema fartamente explorado durante a última campanha eleitoral pelo então candidato Jair Bolsonaro. Apesar da total falta de ilegalidades identificadas no banco, o presidente do BNDES disse que as suspeitas eram “legítimas”.
Sem meta de desembolso financeiro
O presidente do banco disse que o banco não tem mais meta de desembolso financeiro, e sim de resultados como, por exemplo, levar saneamento a 20 milhões de pessoas ou iluminação pública para 14 milhões.
No entanto, trabalha com uma banda de valor a ser desembolsado. Para 2020, espera algo semelhante ao observado em 2019, que foi pouco abaixo dos R$ 60 bilhões. As projeções exatas serão divulgadas em abril.
Questionado sobre quanto o banco devolveria este ano ao Tesouro Nacional, Montezano informou que ainda não está definido. O banco ainda negocia o valor com o Ministério da Economia. (Fonte: Valor Econômico)
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