Nubank já lucra o mesmo que o Itaú no varejo e mais que o Banco do Brasil
Ganhos do banco digital chegaram a R$ 5,5 bilhões no segundo trimestre deste ano (Por Altamiro Silva Junior (Broadcast) e André Marinho) - foto divulgação -O lucro do Nubank no segundo trimestre, de US$ 1,06 bilhão, ou R$ 5,5 bilhões pelo câmbio de sexta-feira, 14, já é maior que o do Banco do Brasil (R$ 3,9 bilhões). Mas o que analistas destacam, como os do banco JPMorgan, é que o resultado é igual ao ganho recorrente do Itaú no varejo, que somou US$ 1,1 bilhão no mesmo período (R$ 5,5 bilhões, segundo o balanço), e é o mais comparável com a operação da fintech.
O Nubank tem apenas 13 anos e chegou ao patamar de ganho de bancos centenários, ressaltam analistas. O Itaú, por exemplo, comemorou 100 anos em setembro de 2024. No mercado, o ganho bilionário falou mais alto e o papel da fintech subiu 9,33% na sexta-feira na Bolsa de Nova York, nona maior alta do dia. Com o salto, o banco digital ganha US$ 7 bilhões (por volta de R$ 37 bilhões) em valor de mercado apenas no último pregão.
Avaliada em US$ 74 bilhões, a fintech já supera nomes globais como Deutsche Bank, Societété Generale e Commerzbank, embora ainda permaneça ligeiramente atrás de Itaú (US$ 80 bilhões), conforme compilado do site Companies Market Cap.
Hipótese virou realidade
“Há treze anos, começamos com uma hipótese simples: um banco construído com base em tecnologia, sem agências físicas e sem sistemas legados para preservar, poderia atender centenas de milhões de pessoas melhor por uma fração do custo. Isso já não é mais uma hipótese e geramos mais de US$ 1 bilhão em lucro líquido por trimestre pela primeira vez”, disse o fundador e CEO do Nubank, David Vélez, na abertura da teleconferência com analistas, na noite de quinta-feira, 13, para falar dos resultados do segundo trimestre.
Vélez avalia que ainda há muitas avenidas de crescimento no Brasil, onde a instituição chegou a 118 milhões de clientes e acaba de conseguir uma licença bancária, com a aquisição do Banco Porto Real de Investimentos.
“O Brasil permanece nossa maior oportunidade de crescimento”, disse, ressaltando que muito dessa oportunidade está na própria base de clientes do banco. Sobre oportunidades, além de explorar a própria base, o executivo ressaltou segmentos como o crédito consignado privado e o de pequenas empresas, onde o Nubank já tem 6,8 milhões de clientes, ainda uma fração desse mercado. “É um mar de oportunidades.”
Para cima
“Os resultados vieram acima do esperado e devem levar a uma revisão para cima da previsão de ganhos”, comenta o analista do UBS BB, Thiago Batista, em relatório. Além da expansão “material” no lucro, ele destaca o crescimento das receitas, das margens, a queda da taxa curta de inadimplência e a redução de 14% das provisões, na comparação trimestral. O analista reiterou a recomendação de compra para a ação da fintech.
“As expectativas eram altas e o Nubank entregou no segundo trimestre”, ressalta o analista do BTG Pactual, Eduardo Rosman. Enquanto o banco está se transformando em uma plataforma global, com operações no México e Colômbia, e agora avançando para os Estados Unidos, Rosman ressalta em relatório que a maior parte dos ganhos da fintech ainda vem do mercado brasileiro.
Ainda segundo o BTG, o resultado do Nubank se torna ainda mais significativo quando se leva em conta fatores como a crescente preocupação com o alto endividamento das famílias brasileiras, a inesperada saída do diretor financeiro Guilherme Lago e a até agora temporada de balanços mais fraca no Brasil.
Mais IA
Vélez, que em julho foi nomeado para o conselho da OpenAI, ressaltou na teleconferência que a inteligência artificial é a tecnologia mais transformadora da história e, para o banco, está ajudando a construir poderosos modelos de crédito. “Estamos ainda nos estágios iniciais, mas é uma tecnologia que trará transformações significativas em todos os negócios”, afirmou o fundador do Nubank.
No crédito, a carteira do Nubank cresceu 39% na comparação anual. A taxa curta de inadimplência, para atrasos entre 15 a 90 dias, recuou de 5% no primeiro trimestre, para 4,8%. Já a taxa para atrasos acima de 90 dias, subiu de 6,5% para 6,9%. O novo CFO do Nubank, Rob Livingston, disse que, a julgar pelo comportamento de trimestres anteriores, a tendência é que a taxa mais longa recue no terceiro trimestre.
Sobre o modelo de crédito do banco, Vélez disse que toda a decisão de concessão de crédito pela fintech sempre é baseada numa avaliação de que o cenário pela frente será o pior. A visão não é sobre como a economia estará pela frente, mas sempre assumindo que vai estar mais deteriorada. “É a visão de que o futuro será pior que o passado”, disse Vélez. Assim, o Nubank sempre tem colchões suficientes para bancar riscos de crédito. (Fonte: Estadão)
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