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Provisões contra calote pesam no lucro do BB no 2T26 e fase mais difícil ainda pode estar à frente

Analistas projetam período desafiador para o Banco do Brasil e estimam alívio nos resultados apenas no quarto trimestre; veja o que esperar dos resultados do 2T26 desta noite (Por Por Beatriz Rocha) - foto Paulinho Costa feebpr -

No Paraná, produtores rurais suspendem investimentos e adiam compra de máquinas.

Resumo
O Banco do Brasil divulgará os resultados do 2º trimestre de 2026, com desafios na carteira do agronegócio. Ágora e Bradesco BBI projetam lucro de R$ 3,7 bilhões, enquanto Itaú BBA e XP estimam R$ 2,9 bilhões e R$ 3,4 bilhões. O Itaú BBA prevê dificuldades devido a vencimentos concentrados e custos elevados. BTG Pactual e XP mantêm recomendações neutras, com expectativas de recuperação a partir do 4º trimestre. A Medida Provisória 1.376/2026 pode ajudar na renegociação de dívidas rurais.

O Banco do Brasil (BBAS3) será o último dos grandes bancos brasileiros a divulgar os resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26). Após o fechamento dos mercados nesta quarta-feira (12), a empresa apresentará seu balanço corporativo, que deve continuar desafiador e pressionado pela carteira do agronegócio, na avaliação de analistas.

A Ágora Investimentos e o Bradesco BBI têm a maior projeção de lucro líquido para a companhia, de R$ 3,7 bilhões, e a maior estimativa de Retorno sobre o Patrimônio Líqiuido (ROE), de 7,8%. O Itaú BBA e a XP Investimentos trabalham com estimativas de R$ 2,9 bilhões e R$ 3,4 bilhões para o lucro, respectivamente, e de 5,8% e 7,1% para o ROE, nesta ordem.


O Itaú BBA entende que o período mais difícil ainda está por vir para o BB. A maior parte dos vencimentos do agronegócio deste ano ocorre no segundo e no terceiro trimestre, período que também concentra créditos concedidos sob os padrões anteriores da empresa, que eram mais flexíveis.

Segundo o BBA, essa concentração ocorre justamente quando o fluxo de caixa dos produtores está mais pressionado, com as margens dos agricultores afetadas pelo aumento dos custos de produção – com fertilizantes e fretes, por exemplo –, cenário agravado pelo endividamento acumulado nas últimas safras.

A casa mantém recomendação market perform (equivalente à neutra) para o Banco do Brasil, com preço-alvo de R$ 21, e espera um trimestre mais fraco, com crescimento contido da carteira de crédito e provisões elevadas (reservas para cobrir perdas nas carteiras de crédito).

O BTG Pactual (BPAC11) também espera um segundo trimestre desafiador, com as provisões potencialmente tão elevadas quanto no primeiro trimestre de 2026. “Um alívio mais relevante no resultado deve ocorrer mais provavelmente a partir do quarto trimestre”, diz o banco, que tem recomendação neutra para BBAS3, com preço-alvo de R$ 25.

O BTG relembra que a administração do BB ainda não alterou o guidance (projeções oficiais da empresa) apresentado em maio, embora permaneça o risco de revisão para baixo. A expectativa é que a discussão ganhe relevância após a divulgação do balanço do segundo trimestre.

Os analistas Marcelo Mizrahi, do Bradesco BBI, e Renato Chanes, da Ágora Investimentos, também preveem um nível elevado de provisões, na casa dos R$ 18,389 bilhões, enquanto as receitas de prestação de serviços e as despesas operacionais devem ficar alinhadas ao guidance. Os especialistas projetam ainda um lucro antes de impostos (Ebt) de R$ 3,9 bilhões, valor 10% abaixo do consenso. A Ágora e o BBI têm recomendação neutra para BBAS3, com preço-alvo de R$ 20.

XP enxerga possibilidade de ‘recuperação em W’
A XP Investimentos estima que o lucro líquido do Banco do Brasil recue cerca de 10% na comparação anual, em linha com a expectativa da administração de uma trajetória de recuperação dos resultados em “formato de W”.

Durante o BB Day 2026, Tarciana Medeiros, CEO do Banco do Brasil, já havia afirmado que a trajetória da empresa terá “altos e baixos”, refletindo a heterogeneidade da economia e da produtividade entre regiões e setores.

Do lado das receitas, a XP calcula que a margem financeira líquida (NII) deve apresentar uma alta anual de 10% para R$ 27,58 bilhões, beneficiada por um mix mais favorável de pessoas físicas, liderado pelos empréstimos consignados privados, além de um desempenho sólido da Tesouraria. No entanto, a menor apropriação de juros no agronegócio e a pressão sobre o crédito ao consumo sem garantias devem compensar parcialmente esses ganhos.

A XP também estima que as receitas de tarifas do BB devem permanecer resilientes, sustentadas pelos negócios de seguros e pela gestão de recursos e consórcios, enquanto as despesas devem continuar sob controle e próximas ao ponto médio do guidance.

Já as tendências de qualidade dos ativos devem continuar pressionadas, com deterioração persistente nos cartões de crédito e nas pequenas e médias empresas (PMEs).

Por outro lado, a XP avalia que o programa de renegociação das dívidas rurais aprovado pelo governo em julho, com a Medida Provisória 1.376/2026, pode ajudar a conter a formação de novos créditos inadimplentes nos próximos trimestres. No entanto, os benefícios devem se materializar de forma mais significativa apenas a partir do quarto trimestre. A corretora tem recomendação neutra para o BB, com preço-alvo de R$ 21.

Em comunicado ao mercado financeiro, o Banco do Brasil informou que ainda não é possível estimar os impactos da Medida Provisória 1.376/2026 sobre os indicadores financeiros, patrimoniais e de resultado do banco, uma vez que tais efeitos dependem das condições definitivas a serem estabelecidas na regulamentação do programa, além do volume efetivamente renegociado com produtores rurais. (Fonte: Estadão)

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