Desemprego no Brasil cai a 5,6% e atinge menor nível em 13 anos
Segundo especialista, mercado de trabalho no Brasil está aquecido e dinâmico, com composição relativamente saudável em meio à redução da informalidade - foto Paulinho Costa feebpr -A taxa de desemprego no País desceu a novo piso histórico no trimestre encerrado em julho: 5,6%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O mercado de trabalho no Brasil está aquecido e dinâmico, com composição relativamente saudável em meio à redução da informalidade, avaliou Luis Otávio Leal, sócio e economista-chefe da G5 Partners.
“O mercado de trabalho deve permanecer como um vetor positivo para a atividade econômica em 2025. A dúvida, no momento, é entender a extensão dessa dinâmica benigna — ou seja, até que ponto a taxa de desemprego vai continuar caindo. Nossas simulações sugerem que patamares mais próximos de 5,0% podem ser uma possibilidade no último trimestre. Se for o caso, e a inflação permanecer em trajetória mais benigna, será importante avaliar a possibilidade de que a economia brasileira consegue suportar um mercado de trabalho estruturalmente mais aquecido”, apontou Leal, em relatório.
No trimestre terminado em julho, o mercado de trabalho colecionou recordes positivos. A população ocupada subiu a um recorde de 102,437 milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, a população desempregada desceu ao segundo menor contingente já registrado, 6,118 milhões de pessoas em busca de uma vaga, nível mais baixo desde o fim de 2013. A taxa composta de subutilização da força de trabalho caiu a 14,1%, a mais baixa já vista. O nível da ocupação — porcentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar — ficou em 58,8%, mantendo-se assim no maior patamar da série.
“O aumento da população ocupada e redução da população desocupada nos permitiu identificar a menor taxa de desocupação da série”, afirmou William Kratochwill, analista da pesquisa do IBGE. “Temos o retrato do que está acontecendo. O mercado de trabalho se mantém aquecido, continua resiliente, continua apresentando característica de um mercado que está em expansão.”
Em apenas um trimestre, foram abertos 1,176 milhão de postos de trabalho, ocupações majoritariamente criadas via formalidade. Ao mesmo tempo, 1,013 milhão de pessoas deixaram o desemprego. Segundo o pesquisador do IBGE, há uma alta sazonal nas contratações nesse período do ano, característica da série histórica da pesquisa. Porém, o mercado de trabalho está melhor do que em iguais períodos de anos anteriores.
“O mercado de trabalho hoje está mais evoluído do que esteve no ano passado ou do que esteve no trimestre anterior”, frisou Kratochwill.
O setor público ajudou na geração de vagas no trimestre terminado em julho, mas foi o setor privado que puxou o aumento do emprego.
“O setor público aumentou 422 mil posições, o equivalente a quase um terço do crescimento total (de ocupados), mas o maior crescimento aconteceu no setor privado”, disse ele. “O setor público ajuda, mas o setor privado puxa o aumento do emprego.”
O País registrou novos ápices no número de trabalhadores atuando tanto no setor privado (52,583 milhões de pessoas) quanto no setor público (12,884 milhões) no trimestre terminado em julho. O alcance da carteira assinada no setor privado também foi o maior já visto, com 39,113 milhões de pessoas atuando com esse tipo de vínculo.
Com a ajuda do avanço do emprego formal, a massa de salários em circulação na economia renovou patamar recorde no trimestre encerrado em julho, totalizando R$ 352,301 bilhões.
“Os números mostram que os rendimentos das pessoas formalizadas são maiores”, lembrou William Kratochwill, do IBGE. “Se eu aumento o contingente de pessoas com rendimento maior, naturalmente isso vai impulsionar mais o crescimento da massa de rendimento.”
O resultado da massa de renda significou um aumento de R$ 21,307 bilhões no período de um ano, alta de 6,4% no trimestre encerrado em julho de 2025 ante o trimestre terminado em julho de 2024. Na comparação com o trimestre terminado em abril de 2025, a massa de renda real cresceu 2,5% no trimestre terminado em julho, R$ 8,634 bilhões a mais.
“Esse é um ponto de atenção para o Banco Central, já que o aumento no nível de renda tende a estimular o consumo e pode funcionar como um limitador para o efeito contracionista da taxa de juros. Assim, o dado de hoje não muda a avaliação de que o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) deve manter a (taxa básica de juros) Selic inalterada na reunião de quarta-feira, sustentando uma postura dura, com o objetivo de ancorar as expectativas de inflação e evitar uma precificação antecipada do ciclo de corte de juros”, ponderou Sara Paixão, analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, em comentário.
O rendimento médio de quem está trabalhando alcançou em julho o maior patamar da série histórica comparável, aos R$ 3.484. O rendimento médio dos trabalhadores ocupados teve uma alta real de 1,3% na comparação com o trimestre até abril, R$ 46 a mais. Em relação ao trimestre encerrado em julho de 2024, a renda média real de todos os trabalhadores ocupados subiu 3,8%, R$ 128 a mais. (Fonte: Estadão)
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